terça-feira, 8 de março de 2016

Resumo da Ópera.


Saudades!

Estou sem pedalar há meses. Trato esse período como um hiato, pois pretendo retornar em breve. Minha barriga cresceu, mas minha alegria também. Não parei de pedalar por má vontade, na verdade fui morar bem longe, comprei uma moto pra fazer o percurso. A bike tá na casa de minha mãe, usada como lazer muito eventualmente. Porém, continuo ligado no que tem acontecido na cidade e ao meu redor.

Quando vejo novas ciclovias por aí, acho graça. O número de ciclistas aumentou, ao ponto de finalmente eu não ser mais o único do escritório a usar magrelas. Isso ajudou a arredondar um pouco a visão quadrada que insiste em permanecer em todos os lugares, inclusive aqui. Há pouco mais de um ano me proibiram de entrar com a bike pela porta principal, com alegações tão tangíveis quanto o coelhinho da páscoa. Agora como não sou mais o único “estranho”, tá liberada a passagem. Teoricamente, uma agência de propaganda é um lugar com pensamento de vanguarda, mas ainda assim houve essa resistência. Com base nisso, dá pra se ter uma idéia da batalha que é a aceitação da bicicleta nas ruas da cidade.

Agora tô com planos de voltar a entrar em forma, pedalar com mais frequência e voltar a fazer rolês de respeito. O corpo e a alma sentem falta daquela esbaforida aliviada após vencer um barranco!

Saudades!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cicloativistas Anônimos


Os cicloativistas anônimos pedalam muito mais do que você. Não ligam se é Shimano ou Sram. Não estão nem aí se o pedivela for monobloco, aliás nem sabem o que é isso. Lubrificante “wet” pra corrente? Óleo Singer sempre foi e sempre será o ideal. Nada de roupa colada, capacete, luvas, luzes ou qualquer parafernália. Já usavam bike “single” muito antes de virar moda na cidade. Falando em cidade, eles pedalam por ela há décadas, e estarão pedalando mesmo se “a onda da bike” passar. Suas magrelas são de aço carbono, mas eles não sofrem nem reclamam disso. Melhor, podem soldar à vontade. Não têm medo de ladeira nem vergonha de subir empurrando. Como disse, eles pedalam muito mais do que você.


Cicloativistas Anônimos talvez sejam os mais legítimos dos que acreditam na bicicleta. Bem, ele não só acredita como faz dela sua realidade. Não está atrás de likes. Não que isso seja errado, mas é que Cicloativistas Anônimos não estão pela causa, estão pela praticidade.


Nunca são fotografados para ilustrar matérias (tá eu não fotografei ninguém aqui, mas não vou colocar fotos sem autorização, né?), nem são ouvidos quando uma ciclovia nova é inaugurada. Não devem ser fotogênicos o suficiente para vender a causa, na mente de alguns. Mas graças a eles, a verdadeira indústria da bicicleta brasileira roda, abastecendo bicicletarias de periferia, com peças muitas vezes de qualidade, mas sem grife. Aquela bicicletaria cheia de bikes usadas penduradas à venda, onde do lado da bomba de ar sempre tem um tanque cheio de água preta.



São cidadãos simples, que sem fazer alarde preenchem as estatísticas há muito mais tempo do que as próprias estatísticas existem. Não endeusam a bicicleta, tavez nem saibam o bem que fazem ao planeta. Apenas usam a magrela para o que ela foi feita: ir do ponto A para o ponto B.

Cicloativistas anônimos, o meu total respeito e MUITO OBRIGADO.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Reordenando a vida.

É, tem pouco mais de dois meses que não escrevo. Record para o blog, vergonha para mim.
Sempre a mesma foto só pra não ficar pelado o post.

Estou passando por um período de redescoberta com a bike. Casei, fui morar longe e a magrela ficou na casa de minha mãe. Meu trajeto pro trabalho consiste em ônibus > metrô > ônibus. Este último eu posso trocar pela bicicleta. Fiz um esquema em que eu usaria a bike 4x na semana, já que minha mãe mora muito perto de uma estação de metrô:

SEGUNDA
Ida: ônibus > metrô > bike
Volta: ônibus > metrô > ônibus

TERÇA
Ida: ônibus > metrô > ônibus
Volta: bike > metrô > ônibus

QUARTA
Ida: ônibus > metrô > ônibus
Volta: ônibus > metrô > ônibus

QUINTA
Ida: ônibus > metrô > bike
Volta: ônibus > metrô > ônibus

SEXTA
Ida: ônibus > metrô > ônibus
Volta: bike > metrô > ônibus

Nesse esquema eu uso 2x a bike de manhã e 2x de noite. Teria um dia de “folga” na quarta-feira. Fica bom para todos, pois posso visitar minha octagenária mamãe 4 vezes por semana e manter a rotina de exercício. Tá, essa parte é mentira. Pedalo porque é muito bom mesmo!

Outro “projeto” que tem me empolgado é o pegar minha Soul, que merece uma geral e levar a danada pra Guarulhos. Poderia pedalar nos fins de semana, fora que meu apartamento seria uma base bacana pra futuras cicloviagens. Antes teria que trocar a mesa, canote e movimento central, além de instalar o câmbio dianteiro, pois o anterior quebrou. Olhando assim, penso em colocar um grupo todo novo, deixar ela tinindo. Pelo menos R$ 300 num Altus pra ficar feliz.

Enfim, entre casar e comprar uma bicicleta, escolhi casar (mesmo pq já tenho 2 bicicletas, não tinha mais como evitar). E “vamo que vamo”!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Despedida do modal bicicleta.

Pelo menos da maneira que venho usando nos últimos 30 meses.

Esta é minha última semana como ciclista urbano. Na verdade, do ciclista diário, que usa sua magrela como modal de transporte.


Acontece que assim que trocar a aliança de dedo eu mudarei de cidade, mas continuarei no mesmo emprego e endereço. O confortável deslocamento diário de 12 km ida e volta será de 80 km. Tá, daria pra brincar de ir pedalando uma vez por semana, “SE” não houvesse uma Dutra e uma marginal no caminho, fora o risco de assaltos. Serei um usuário do transporte público e do carro. A partir do ano que vem, da motocicleta.

A bicicleta se tornará um instrumento apenas de lazer, para usar nos finais de semana. Uma alternativa será deixá-la na casa de minha mãe e fazer parte do percurso pedalando - terça e quinta, por exemplo. Porém, isso inviabiliza o uso dela a lazer todos os finais de semana. Ao mesmo tempo, a casa de mams seria uma boa “base” para cicloviagens, pois está do lado do metrô, que sempre me levou aos extremos da cidade pra pegar estrada. Porém eu cicloviajo muito pouco, coisa de uma vez por semestre e trechos curtos. CARAJO!

O negócio é não pensar, mas deixar acontecer. E tomar cuidado com a pele do frango, com o bacon… afinal agora não terei como queimá-los imediatamente.

Tô muito feliz com tudo o que tem acontecido comigo, deixar de utilizar o melhor meio de transporte do mundo diariamente não será fácil, mas pensando no quanto minha vida tem melhorado e irá melhorar, será um prazer acordar sábado cedinho e pedalar a lazer.

Que venha a vida!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ah, o paulistano médio.


Hoje, vindo ao trabalho, experimentei uma dose do fruto dessa política de ódio que partidos de oposição e a mídia têm praticado contra ciclistas e ciclovias.

Pedalando na Av. República do Líbano, uma mulher em seu carro me ultrapassa aos berros, gritando para eu ir pra ciclovia.

Claro que ela fica presa no trânsito e eu alcanço fácil. Claro que agora ela estava com o vidro fechado. A piada: ela estava toda enrolada tentando colocar o cinto, já com sentimento de culpa no subconsciente.

Nos poucos segundos que levei para ultrapassá-la, até pensei em argumentos civilizados, mas minha vontade era de insultar. E usei a pior ofensa possível que uma pessoa do perfil dela poderia receber. Disse “-Tenha um bom dia”.