quarta-feira, 13 de junho de 2018

Bike aro 29 com 21 marchas? Fuja!

As 29'er estão no mercado há algum tempo, e nos últimos anos elas entraram com força no mercado de bicicletas de entrada. Tudo bem, afinal a demanda gera oferta e as marcas se esforçam para baixar seus preços para atrair clientes. Uma estratégia delas é montar bikes com 21 velocidades, ou seja, 7 marchas atrás e três na frente. Uma tecnologia lá dos anos 80/90, que por ser bastante popular, tem preços menores.

Eu sou mais pesado, tive muitos problemas com o eixos das minhas bikes de 21 marchas. Seus eixos quebravam muito rápido. Em todas elas, troquei o sistema de blocagem pelo sistema de parafusos, pois o eixo sendo sólido se tornava mais resistente. Mesmo assim, eles empenavam com o peso. Agora imagine uma bicicleta de aro 29, que é mais pesada por natureza. Fora a força centrífuga maior daquelas rodonas. Mais difícil usar um sistema que não foi pensado para elas.

Não irei entrar em detalhes sobre a qualidade e a geometria das bikes de entrada, apenas compartilharei minha experiência com cubos e eixos de 21 marchas. Resumindo, minha única dica para quem pensa em adquirir uma 29: fuja das 21 marchas! 

Dou 2 motivos:

1. Você irá sofrer nas subidas.
A catraca de 7 velocidades foi pensada para o aro 26. Num aro 29, que é bem maior, a marcha mais leve corresponderá a usar uma 26 sempre na segunda ou terceira marcha. Pense naquela subida gigante que você terá que encarar sem poder deixar a bike mais leve.



2. Eixo frágil, sujeito a quebra.
Isso vale para qualquer bike com sistema de catraca em cubo de rosca. Sua construção faz com que o eixo seja preso ao cubo muito no centro dele, sobrando muito eixo até prendê-lo no quadro, ou seja, com o peso o eixo empena ou rompe. Pense num varal de roupas. Se você pendurar uma toalha pesada no meio dele, o varal entortará e gerará muita pressão no barbante.

Este é um cubo para catraca de 7 velocidades, que vai rosqueada na parte cromada.
Vejam o quanto de eixo é necessário para prendê-lo ao quadro. Isso fragiliza o sistema.

A catraca vai rosqueada no cubo e o eixo passa aí no meio.
Como fica preso só lá no fundo, o peso o faz empenar.


Portanto, se for comprar uma 29, escolha modelos a partir de 24 marchas.


Um cubo para 24 a 30 velocidades. A roda livre é embutida e o cassete é encaixado nos trilhos. Reparem que o eixo é bem mais integrado ao sistema, minimizando o risco de empenamento.
O sistema do cubo 24v é mais moderno, o ponto de apoio do eixo é muito maior e mais resistente. Seria como colocar aquela toalha pesada perto da base do varal. O barbante entortará bem menos.

Outra vantagem é que se você adquirir uma bike de 24 velocidades, poderá fazer upgrades para 27 ou 30 velocidades sem precisar trocar o cubo.

Nossas ruas são muito esburacadas. Um circuito urbano pode fazer a bike sofrer tanto quanto se estivesse em uma estrada de chão batido. Um eixo moderno e resistente vale cada centavo investido.




quarta-feira, 30 de maio de 2018

Ciclista Urbano Sênior

Relive 'Pequeno Percurso'


Quem abandona uma atividade, seja ela qual for, sabe que retomá-la depois de muito tempo é um tanto estranho. Aquilo que era feito "sem pensar" pronuncia-se a todo momento, como se meu corpo estivesse tentando dizer: "- Ah, era pra fazer isso mesmo? Não lembrava". No meu caso, voltar a pedalar está sendo divertido, mas muito desafiador.

Hoje fiz um percurso de 15 km até o Ibirapuera. Um passeio no quintal, diria tempos atrás. Só que hoje pareceu um audax! Aquilo que eu fazia de olhos fechados, como adequar a marcha com o ritmo, me enrolei todo. As pernas, que antes nem lembrava delas, hoje arderam ao mínimo aclive. Transpirei como se fosse verão e tive que parar duas vezes, pois o suor entrava no olho e ardia. Confesso que até para redigir este texto está mais difícil, pois eu abandonei não só a bicicleta, mas este blog também.

Na minha época de pedal diário, eu me achava fraco. Via outras pessoas batendo 80km numa tacada só e achava que eu, por aguentar no máximo 50, era fraco, mole. Só olhava o que não conseguia, sem me dar conta do que eu era capaz.

Hoje percebi o quanto era forte. Conhecia o meu corpo e limites, sabia o meu ritmo e não tinha medo de ir longe. Esse percurso de 15 km não me cansava ou doía em momento algum. No máximo respirava mais forte em alguns trechos. De fim de semana atravessava a cidade sem medo, a passeio. Ontem eu subi da Sta Cecília até o Paraíso e pareceu o Everest, tamanho o sofrimento.

Passei a respeitar muito mais quem eu era, e pretendo voltar naquele nível que eu achava que não era bom. Pedalar olhando pro horizonte, e não para as pernas. Encaixar a marcha certa sem precisar pensar nisso. Pedalar sem torcer pro próximo farol fechar.

Longe de querer ser um atleta galático, mas um Ciclista Urbano Sênior.


terça-feira, 10 de abril de 2018

763 nãos

Dores nas coxas;
Transpiração muito além do comum;
Sons de lubrificação carente;
Nudez pela falta do capacete;
Incômodo nos pulsos;
Mais bagagem no abdômen;
Incômodo lombar;
Luzes sem bateria;
Corrente raspando;
Tremedeira;
Alegria.

Foram 763 nãos. Hoje resolvi dizer sim. Um dia eu voltaria.

Pedala, Gabriel.

terça-feira, 8 de março de 2016

Resumo da Ópera.


Saudades!

Estou sem pedalar há meses. Trato esse período como um hiato, pois pretendo retornar em breve. Minha barriga cresceu, mas minha alegria também. Não parei de pedalar por má vontade, na verdade fui morar bem longe, comprei uma moto pra fazer o percurso. A bike tá na casa de minha mãe, usada como lazer muito eventualmente. Porém, continuo ligado no que tem acontecido na cidade e ao meu redor.

Quando vejo novas ciclovias por aí, acho graça. O número de ciclistas aumentou, ao ponto de finalmente eu não ser mais o único do escritório a usar magrelas. Isso ajudou a arredondar um pouco a visão quadrada que insiste em permanecer em todos os lugares, inclusive aqui. Há pouco mais de um ano me proibiram de entrar com a bike pela porta principal, com alegações tão tangíveis quanto o coelhinho da páscoa. Agora como não sou mais o único “estranho”, tá liberada a passagem. Teoricamente, uma agência de propaganda é um lugar com pensamento de vanguarda, mas ainda assim houve essa resistência. Com base nisso, dá pra se ter uma idéia da batalha que é a aceitação da bicicleta nas ruas da cidade.

Agora tô com planos de voltar a entrar em forma, pedalar com mais frequência e voltar a fazer rolês de respeito. O corpo e a alma sentem falta daquela esbaforida aliviada após vencer um barranco!

Saudades!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cicloativistas Anônimos


Os cicloativistas anônimos pedalam muito mais do que você. Não ligam se é Shimano ou Sram. Não estão nem aí se o pedivela for monobloco, aliás nem sabem o que é isso. Lubrificante “wet” pra corrente? Óleo Singer sempre foi e sempre será o ideal. Nada de roupa colada, capacete, luvas, luzes ou qualquer parafernália. Já usavam bike “single” muito antes de virar moda na cidade. Falando em cidade, eles pedalam por ela há décadas, e estarão pedalando mesmo se “a onda da bike” passar. Suas magrelas são de aço carbono, mas eles não sofrem nem reclamam disso. Melhor, podem soldar à vontade. Não têm medo de ladeira nem vergonha de subir empurrando. Como disse, eles pedalam muito mais do que você.


Cicloativistas Anônimos talvez sejam os mais legítimos dos que acreditam na bicicleta. Bem, ele não só acredita como faz dela sua realidade. Não está atrás de likes. Não que isso seja errado, mas é que Cicloativistas Anônimos não estão pela causa, estão pela praticidade.


Nunca são fotografados para ilustrar matérias (tá eu não fotografei ninguém aqui, mas não vou colocar fotos sem autorização, né?), nem são ouvidos quando uma ciclovia nova é inaugurada. Não devem ser fotogênicos o suficiente para vender a causa, na mente de alguns. Mas graças a eles, a verdadeira indústria da bicicleta brasileira roda, abastecendo bicicletarias de periferia, com peças muitas vezes de qualidade, mas sem grife. Aquela bicicletaria cheia de bikes usadas penduradas à venda, onde do lado da bomba de ar sempre tem um tanque cheio de água preta.



São cidadãos simples, que sem fazer alarde preenchem as estatísticas há muito mais tempo do que as próprias estatísticas existem. Não endeusam a bicicleta, tavez nem saibam o bem que fazem ao planeta. Apenas usam a magrela para o que ela foi feita: ir do ponto A para o ponto B.

Cicloativistas anônimos, o meu total respeito e MUITO OBRIGADO.