terça-feira, 5 de maio de 2015

Resetem nossa sociedade.

 

Há algumas semanas, um blogueiro cicloviajante teve sua bike roubada no Guarujá. De brinde levou um tiro de raspão e ainda sofreu ameaças dos bandidos após fazer o B.O. A polícia pouco fez, senão se livrar do problema orientando ele a apagar seu facebook e trocar de telefone, numa total inversão de valores e má vontade. Pior: o local aonde sua bike está é conhecido pelos policiais, que passaram a empurrar a bronca entre eles (civil x militar).

Na mesma semana, uma equipe de reportagem da maior emissora do país sofreu um assalto na mesma cidade. Com divulgação em rede nacional, os pertences foram recuperados no mesmo dia e pasmem, o bandido foi até uma delegacia e se entregou!

Isso deixou ele tão desmotivado (e puto, com razão), que ele abandonou o ciclismo e retirou seu blog do ar, com anos de postagens e boa leitura para quem gosta de pedalar. Não o culpo, afinal ele quase morreu e ainda está sendo punido por ser cidadão.

A solução para isso? Borrachada, bala na testa e cadeia.
NÃO! Isso é como tentar resolver epidemia de dengue com drops pra garganta! O ato de remediar está sempre atrelado a uma reatividade, ou seja, partir pra ação apenas quando o problema já está exposto.

O que chamam de “policiamento preventivo”, com “policiais fortemente armados”, não combate o crime. No máximo, faz o ladrão procurar outras vizinhanças, e não outra ocupação. Falar que “bandido bom é bandido morto” não fará o ladrão abandonar o crime, pelo contrário: fará o vagabundo ser mais agressivo e rápido a cada assalto, para não haver chance de falha. Atirar na vítima cria uma distração a mais, para ele poder fugir.

Nossa política de segurança tenta apagar um incêndio jogando álcool no fogo.

Temos que parar, refletir o que está acontecendo com o país e assumir que esta geração e a próxima estão condenadas. Não dá pra curar quem passou a vida inteira sendo doutrinado nas coisas erradas, infelizmente. No máximo, condicionar. Mudar uma sociedade não é apenas dar crédito pro cara comprar supérfulos, mas sim começar a adubar um solo, para lá na frente, a árvore começar a dar flores, para enfim começar a dar frutos.

Engoliremos a vergonha do nosso fracasso atual se reiniciarmos, passarmos a investir em educação. Não falo só de trigonometria nem de física. São temas importantes, mas o principal é outro: história e cultura. Direitos civis também. Fazer o brasileiro conhecer suas origens, conhecer a história da humanidade, as barbáries das guerras e ensinar respeito ao próximo, a idosos, a pais, familiares. Ensinar compreensão e tolerância. Para a agressividade natural do homo sapiens? esporte. Após uma ou duas gerações, teremos pessoas que valorizam o esforço, que se interessam naturalmente por literatura. Pessoas mais tolerantes e críticas, que sabem que no coletivo todos somos mais fortes, mas para construir coisas boas. Sem esforço, posso imaginar que a sociedade estando mais esclarecida irá priorizar mais uma casa com encanamento regular do que uma TV de led, ou investir em reboco valorizará seu patrimônio muito mais do que rodas de liga leve em seu carro popular. Sim, essa é outra triste realidade: vejo muita gente morando precariamente, mas com tv de 42 polegadas no quarto, vídeo game, celular e carro todo equipado. Uma inversão de valores que só prende o pobre cidadão à sua própria miséria, sem evolução. Carros e eletrônicos tem data de validade, ele irá gastar mais uma dinheirama no ano seguinte pra manter-se na ponta, enquanto bens duráveis como uma casa, são deixadas eternamente em segundo plano.

Somos reféns dessa realidade. Não adianta culpar o governo federal e bater panelas, se a segurança pública e a educação são responsabilidade de prefeituras e estado. Somente aumentar as verbas de educação não adiantará, pois acabará nas mãos de vereadores, prefeitos e deputados tão contaminados quanto aqueles bandidos que roubam bicicletas e atiram em inocentes.

A solução está aí, mas sua implantação é talvez seja o maior desafio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário