terça-feira, 10 de abril de 2018

763 nãos

Dores nas coxas;
Transpiração muito além do comum;
Sons de lubrificação carente;
Nudez pela falta do capacete;
Incômodo nos pulsos;
Mais bagagem no abdômen;
Incômodo lombar;
Luzes sem bateria;
Corrente raspando;
Tremedeira;
Alegria.

Foram 763 nãos. Hoje resolvi dizer sim. Um dia eu voltaria.

Pedala, Gabriel.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cicloativistas Anônimos


Os cicloativistas anônimos pedalam muito mais do que você. Não ligam se é Shimano ou Sram. Não estão nem aí se o pedivela for monobloco, aliás nem sabem o que é isso. Lubrificante “wet” pra corrente? Óleo Singer sempre foi e sempre será o ideal. Nada de roupa colada, capacete, luvas, luzes ou qualquer parafernália. Já usavam bike “single” muito antes de virar moda na cidade. Falando em cidade, eles pedalam por ela há décadas, e estarão pedalando mesmo se “a onda da bike” passar. Suas magrelas são de aço carbono, mas eles não sofrem nem reclamam disso. Melhor, podem soldar à vontade. Não têm medo de ladeira nem vergonha de subir empurrando. Como disse, eles pedalam muito mais do que você.


Cicloativistas Anônimos talvez sejam os mais legítimos dos que acreditam na bicicleta. Bem, ele não só acredita como faz dela sua realidade. Não está atrás de likes. Não que isso seja errado, mas é que Cicloativistas Anônimos não estão pela causa, estão pela praticidade.


Nunca são fotografados para ilustrar matérias (tá eu não fotografei ninguém aqui, mas não vou colocar fotos sem autorização, né?), nem são ouvidos quando uma ciclovia nova é inaugurada. Não devem ser fotogênicos o suficiente para vender a causa, na mente de alguns. Mas graças a eles, a verdadeira indústria da bicicleta brasileira roda, abastecendo bicicletarias de periferia, com peças muitas vezes de qualidade, mas sem grife. Aquela bicicletaria cheia de bikes usadas penduradas à venda, onde do lado da bomba de ar sempre tem um tanque cheio de água preta.



São cidadãos simples, que sem fazer alarde preenchem as estatísticas há muito mais tempo do que as próprias estatísticas existem. Não endeusam a bicicleta, tavez nem saibam o bem que fazem ao planeta. Apenas usam a magrela para o que ela foi feita: ir do ponto A para o ponto B.

Cicloativistas anônimos, o meu total respeito e MUITO OBRIGADO.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ah, o paulistano médio.


Hoje, vindo ao trabalho, experimentei uma dose do fruto dessa política de ódio que partidos de oposição e a mídia têm praticado contra ciclistas e ciclovias.

Pedalando na Av. República do Líbano, uma mulher em seu carro me ultrapassa aos berros, gritando para eu ir pra ciclovia.

Claro que ela fica presa no trânsito e eu alcanço fácil. Claro que agora ela estava com o vidro fechado. A piada: ela estava toda enrolada tentando colocar o cinto, já com sentimento de culpa no subconsciente.

Nos poucos segundos que levei para ultrapassá-la, até pensei em argumentos civilizados, mas minha vontade era de insultar. E usei a pior ofensa possível que uma pessoa do perfil dela poderia receber. Disse “-Tenha um bom dia”.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Inauguração da Avenida Paulista.


Domingo de sol, avenida fechada para os carros. Somente bikes, pedestres, skates, carrinhos de bebê, cachorros e seres humanos em geral. Nada de motores à explosão, apenas veículos movidos pelo combustível mais bacana que existe: arroz e feijão.

Mesmo com as ruas bloqueadas, os ciclistas paravam nos faróis e para os pedestres. Chega a ser vergonhoso sentir orgulho de algo que deveria ser comum, mas é a prova de que existe civilidade e gentileza nos paulistanos. Bastou humanizar o local.

Por essas e outras eu digo que, no dia 28 de Junho de 2015, a Avenida Paulista foi finalmente inaugurada.











segunda-feira, 22 de junho de 2015

Pré estréia da ciclovia da Paulista num dia lindo.

Nem tá pronta, mas não resisti a experimentá-la. Um tapete. Quando não houverem as cancelas, será junto com a Faria Lima, a melhor ciclovia da cidade. Terminei o dia no belíssimo Villa-Lobos, onde o sol se pôs preguiçosamente.






Enquanto isso, em casa, rolava o chá de cozinha da Denise. Cheguei só no final, mal sobraram quitutes. Mas o melhor desse dia foi o passeio. Poucas vezes pude sair de casa tão desencanado, sem agenda. A cidade estava deliciosamente silenciosa, que por muitos momentos pude escutar os pardais e bem-te-vis fazendo a festa. É muito bom quando nós paramos apenas para contemplar, e não descansar. Foi um pedal inesquecível.