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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Estrada Velha de Santos

Sábado de Aleluia, outono, clima ameno, com sol e zero chance de chuva. Qual ciclista não pensa em dar uma volta de bicicleta, com tanta coisa favorável, não é mesmo?

Eu resolvi desta vez fazer um cicloturismo rápido: pedalar na Estrada Velha de Santos, a linda Rodovia Caminho do Mar. 


Em tempo: considero cicloturismo qualquer pedalada cujo fim é conhecer ou aproveitar destinos, seja por de lazer, contemplação ou enriquecimento cultural. Cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio urbano. É mais um estado de espirito do que uma ação concreta. Novamente, é uma concepção particular.


Já conhecia essa estrada indo de carro e acho que de moto também. Mas pedalar nela foi a primeira vez. De muitas, aliás. É uma perspectiva completamente diferente, como se nos banhássemos da viagem.


Não saí muito cedo de casa, acho que foi pelas 8 da manhã. Foi uma estratégia para evitar grupos de ciclistas e aglomerações, uma vez que parece regra, nós ciclistas adoramos madrugar pra pedalar. Tomei o metrô e fui até a estação Tamanduateí, de onde peguei o trem até Ribeirão Pires.


Bike no trem

Ao sair da estação, cruza-se a linha do trem e segue pela avenida paralela. Após 1300 metros, se chega à entrada para a rodovia Índio Tibiriçá, onde já se encara talvez a subida mais chata do percurso. Depois disso, se seguem 12 quilômetros por esta estrada, praticamente uma reta de subidas e descidas bem gostosas. Aliás, sempre achei essa estrada muito chata para percorrer de carro, mas de bicicleta é a segunda vez que passei por ela e é muito agradável. No meu percurso, poucas bicicletas. Porém, no sentido oposto, haviam muitos grupos de ciclistas já voltando do passeio (lembra o que escrevi sobre ciclistas adorarem acordar cedo?).


Percorridos esses 12 quilômetros, chega-se na Caminho do Mar. Siga à esquerda no trevo, seguindo as placas que mostram o caminho do portal, pois se seguir à direita você acessa a rodovia Anchieta. É aqui que começam os 8 quilômetros mais bonitos do passeio.


Por ser uma rodovia “sem saída”, o movimento de carros é exclusivamente de turistas, em sua maioria pessoas que vão correr ou pedalar. Existem também alguns restaurantes no caminho, especializados em pescados, porém estes estavam fechados devido à pandemia. Haviam ambulantes vendendo bebidas e açaí, talvez a única fonte de água potável disponível nessa estrada atualmente.


Passam-se 2 pontes sobre a represa. A segunda delas é um convite à contemplação, pois é baixa e parece tornar toda a imensa represa do Riacho grande numa lagoa bucólica. 

A máscara torta deve ser consequência do sorriso largo.

Alguns poucos momentos à frente, se chega no portal do parque. Aos mais velhinhos, é o local aonde havia o pedágio da estrada, quando esta era aberta para carros descerem ao litoral. Aliás, uma pena não podermos fazer esse percurso. Sou muito mais favorável a adaptarem este caminho e liberá-la até Cubatão, do que haver tanta luta para o uso da estrada de manutenção da Imigrantes. A descida possui vistas espetaculares, construções históricas e muito mais silêncio, por passar longe das descidas de serra da Anchieta e Imigrantes. Enfim, fica no meu sonho.


No percurso de volta, nada de novo. Mas muito agradável e jamais enjoativo. O ponto chato fica por conta da última subida antes de chegar na entrada de Ribeirão Pires, que começa depois da ponte sobre a represa, num trecho de falso plano, que vai se intensificando até chegar ao mesmo ponto que termina aquela subida chata do começo do pedal. Quase 3km, com o último acentuando um pouco a subida. Em suma, não se trata de uma preocupação, pois não é um aclive íngreme, mas como é final de passeio fica chatinho por conta da expectativa de chegar. De última hora, decidi seguir até Rio Grande da Serra. A diferença é pequena, coisa de 3 ou 4 quilômetros, mas deu uma graça a mais no passeio, além de totalizar 50 quilômetros. Basta seguir rumo a Paranapiacaba.


Cheguei na estação, peguei um trem vazio e segui rumo minha casa. Desci na estação Ana Rosa, abrindo mão da última baldeação para finalizar os últimos quilômetros pela ciclovia, até em casa.


Foi um sábado delicioso, que somaram 5 horas entre a saída e chegada em casa, com 3 horas pedaláveis e muito bem aproveitadas. Olha, foi muito bom! Me pergunto por que cargas d’água nunca fiz tal passeio, com acesso tão facilitado a esse lugar maravilhoso. Serviu como quebra-gelo, me instigou a voltar pra Guararema e fazer outros bate-voltas ao redor da cidade, aproveitando o alcance dos 370 quilômetros de malha metro-ferroviária de São Paulo.


Mesmo porque pedalar pelas ciclovias da cidade já cansou um pouco. E foram quase 700 quilômetros por elas em 2021.


Bora cicloturistar os arredores da Grande São Paulo!



Números do rolê

Quilômetros pedalados: 50 cravados.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Ouvindo: músicas infantis do meu filho que não saíam da cuca.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô/trem/passeio/trem/metrô).

Baixas: medo de rolês fora da cidade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Minha experiência numa e-bike.

O mercado mundial de e-bikes está crescendo como nunca. Seja em esportes ou na mobilidade urbana, as bicicletas elétricas vieram para ficar. Mas e aqui no Brasil? Bem, eu não acompanho profundamente a movimentação mundial desse mercado, apenas minha percepção local eu posso considerar, e salvo pontuais excessões, é um mercado dividido entre tecnologia velha e de ponta, ambas muito inacessíveis. 

Atualmente existem modelos modernos à disposição no Brasil. Porém, seus preços são proibitivos para a maioria de nós, por conta da alta do dólar, da tecnologia e da carga tributária. Na faixa de entrada, transbordam modelos que podemos considerar como bicicletas de fundo de quintal, pois são basicamente bicicletas comuns, montadas com o que há de mais barato disponível, acrescidas do sistema elétrico. As excessões são poucas, bem poucas.


Bicicleta de preguiçoso?

Se fosse verdade, o que o motociclista e o motorista seriam?


A e-bike um veículo moderno, que está revolucionando a mobilidade urbana e o ciclismo. Quem pedala uma e-bike não é preguiçoso, visto que nem todo trajeto e nem toda pessoa mora são combinações ideais. Subidas, calor, hostilidade e grandes distâncias impedem muitos cidadãos de usarem bicicletas convencionais. Nem todos têm físico e biotipo privilegiado, mas todos têm o direito de ir e vir, junto a insatisfação com a qualidade do transporte público. Some isso ao valor do combustível, do estacionamento, das taxas anuais para se manter um veículo motorizado... deu preguiça só de pensar, né? 


Para algumas pessoas o carro é indispensável, para outras, uma bicicleta resolve e para tantas outras, um bom tênis é mais que suficiente. Porém, há um enorme 'meio termo' entre todas essas realidades. Quando trabalhava na Paulista, conseguia usar a bike quase que diariamente, porém ainda chegava um pouco suado no trabalho, tendo que trocar a camisa. Se tivesse a ajuda de uma e-bike, não precisaria me preocupar com isso. 


No lazer, o conceito é o mesmo: todos têm o direito de usufruir dos prazeres do ciclismo, de treinar com segurança e desbravar caminhos de bicicleta. De chegar mais longe, de curtir o passeio sem medo de dores desnecessárias. A e-bike te livra da fadiga excessiva e não há problema algum nisso. Tem pessoas que nem com todo o treino do mundo, alimentação correta e sono em dia conseguem pedalar grandes distâncias, mas elas adorariam fazer isso, se fosse possível.



Já ouviu falar de pedal assistido?

Não, não é um pedal que passa na televisão (rs)

Bicicletas com pedal assistido possuem um sensor que capta o movimento do pedivela, entende que a bicicleta está em movimento e aciona o motor.  Existem basicamente dois tipos de pedal assistido: com sensor de giro e com sensor de torque.

 

Sensores de giro acionam o motor ao detectar que o ciclista pedalou. É pá-pum: entendeu que o ciclista quer andar, já entrega a força máxima programada. É um sistema mais arcaico, com menos escalonamento da potência entregue, ou seja, se você precisar manobrar em baixa velocidade, corre o risco do motor dar um tranco, te dando um susto que pode te levar ao chão. Para dar alguma segurança, esse sistema tem um sensor nos manetes de freio, que desliga o motor ao ser acionado. 


sensor de torque é uma evolução. Consiste em um sistema que calcula a pressão exercida, acionando a potência do motor de acordo com ela. Se você pedala tranquilamente, ele te ajuda suavemente. Se vier um esforço maior por conta de uma subida, ele aumenta a entrega do motor, afim de compensar essa diferença. Somado aos níveis de assistência programáveis pelo ciclocomputador, é um sistema que pedala contigo, e não para você. Essa tecnologia surgiu nos motores centrais (na região do pedivela), mas bicicletas com motor traseiro (no cubo da roda traseira) mais modernas já possuem o recurso. 



E-bike ou bicicleta adaptada?

O mercado está usando cada vez mais o termo e-bike para se referir a bicicletas com auxílio elétrico. É um apelo mercadológico que a meu ver desmerece a verdadeira bicicleta elétrica, ou e-bike. 


Em resumo, uma e-bike é uma bicicleta que foi projetada para ter auxílio elétrico, e esse auxílio se dá via pedal assistido. Já uma bicicleta comum, que recebeu um kit elétrico, deveria ser chamada de bicicleta eletrificada. E mais: se possui acelerador, nem bicicleta é, já vira ciclomotor.


As bicicletas eletrificadas são, em geral, os modelos mais baratos do mercado. Na maioria das vezes, são bicicletas com componentes de baixíssimo custo, para compensarem o valor do kit elétrico. Só que uma bicicleta com componentes de baixo custo mal conseguem dar conta de si mesmas, tampouco receber um kit elétrico, que irá levar tais componentes ao limite. Tem que ficar muito de olho ao comprar uma bicicleta dessas. Em geral elas têm um visual bem poluído, com muitos cabos e componentes expostos.


Uma bicicleta projetada para ser e-bike sempre terá um visual mais harmônico. O quadro e toda a estrutura é projetado para receber bateria, motor, fiação e tudo o mais. Quando a bateria fica no bagageiro, este é projetado sob medida e não parece uma adaptação. Em todos os casos, o sistema controlador é embutido, diferente das adaptações, onde ficam todos expostos do lado de fora da estrutura dos quadros. Em alguns modelos, o sistema elétrico é tão bem adaptado que a e-bike parece uma bicicleta comum. 


Caso você deseje eletrificar sua bicicleta atual, dê atenção aos componentes dela. Vale colocar uma relação nova, freios melhores, conferir se o quadro aguenta, pois a bateria será um peso permanente, seja no down tube ou no bagageiro. Também verifique o movimento central e considere trocar a 'caixaria' por um cartucho selado. Se você usar uma bike ruim, erá uma e-bike ruim. Não economize em ítens de segurança, pois é sua integridade física que estará em jogo.



Minha experiência

O fator psicológico é capaz de derrubar até o ciclista mais preparado. 


Já cheguei a desidratar e ter exaustão no meio de um trajeto. Isso numa época em que eu era muito mais preparado fisicamente do que hoje em dia. Mais magro, mais forte, mais jovem. E o blackout aconteceu, no meio do nada, sem água e no verão mais quente e seco que tivemos na década passada. Sorte que Deus colocou pessoas boas no caminho, que me deram água e sombra para me revigorar. O medo de que isso se repita sempre me assombrou, tirando parte do prazer de uma pedalada longa. E é contra esse fantasma que uma e-bike é eficiente.


Tive a oportunidade de pedalar uma e-bike moderna, com motor traseiro de 250w, pedal assistido com sensor de torque e 5 níveis de assistência. Testei todos os níveis de assistência e logo percebi que os níveis máximos são para mobilidade urbana, o famoso "chegar sem suar". Nos níveis mínimos, a e-bike se torna uma excelente aliada da saúde, permitindo uma atividade física controlada e segura. Essa é a maravilha do sensor de torque: ele não faz a e-bike rodar por você, mas com você. 


Resolvi fazer um caminho conhecido, que é um circuito onde vou pela Paulista até a Vila Madalena, subindo até a Cerro Corá, seguindo por ela até o cemitério da Lapa e descendo ao Parque Villa Lobos, voltando pela ciclovia da Bernardino de Campos até a Faria Lima, Vila Olímpia, Moema, Indianópolis, Igreja São Judas, Av Jabaquara e finalmente minha casa. 40 lindos e arborizados quilômetros urbanos com subidas íngremes em diversos momentos. 


Como eu pretendia fazer um exercício aeróbico, deixei a e-bike na assistência mínima, e saí para pedalar. Foi maravilhoso! As arrancadas eram suaves, os aclives da cidade desaparecem e minha cadência permanecia constante, gerando uma queima calórica saudável e muito prazeirosa. Fazia apenas o esforço apenas para manter a velocidade e, nas subidas mais íngremes, subia para uma marcha mais leve e aumentava para assistência 2, afim de equilibrar cadência e esforço. Um sucesso.


De bicicleta comum, termino sempre com os músculos exauridos, impedindo qualquer exercício no dia seguinte. Com a e-bike, eu cheguei em casa transpirando, mas com os músculos em dia, fortalecidos pelo exercício mas sem dores por conta de esforço excessivo. Foi tão bom que no dia seguinte consegui pedalar distância semelhante, inclusive subindo a Av. Rebouças sem medo! Naquela semana, somei mais de 160 km's pedalados, um record pessoal.


E-bikes são o futuro? A bicicleta tradicional vai morrer?

Creio que as e-bikes serão mais acessíveis ao longo do tempo, com a evolução tecnológica das baterias e motores. Só espero que essa evolução se dê pelo amadurecimento do consumidor, e não porque uma tecnologia se tornou ultrapassada e seu preço ficou mais atraente. O Dólar e os impostos jogam contra essa evolução, mas posso falar que as e-bikes vieram para ficar. 


Não creio que a e-bike irá matar a bicicleta tradicional, pois ela continuará sendo o veículo mais prático e eficiente que existe. Mas acredito que elas estarão cada vez mais destinadas ao esporte e lazer, deixando um pouco a função mobilidade para as e-bikes. Tudo depende de como evoluirá a tecnologia, e quanto ela custará para nós. 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Reviravoltas e volta. Descobri que para pedalar, beleza é fundamental.


Olá pessoal! 

Os últimos tempos foram cheios de mudanças, e vejam só: para melhor!

Ano passado voltei para a propaganda, depois de um ano metido a dono de pizzaria. Definitivamente, foi um aprendizado e uma experiência que abriram minha mente, ao mesmo tempo tudo isso me elucidou de diversas maneiras.

Adquiri uma bicicleta nova dois dias depois de fechar a pizzaria, um mês antes de começar no meu emprego atual. Na ocasião, estava bem atrofiado, qualquer pedaladinha ardiam as coxas. O escritório ficava na Vila Mariana, uns 2,5km de casa, por vias acidentadas mas pedaláveis. Estava muito feliz, pois tinha voltado a trabalhar com algo que sempre fiz e gostei, e o melhor: tinha voltado a pedalar, coisa que praticamente abandonei depois de 2015.

O interessante é que, depois de um ano longe desse mercado, sinto que voltei melhor. Consigo condensar mais e melhor minhas idéias. Acho que sem querer querendo, tirei meu ano sabático.


Revira

Só que uma semana depois de começar, uma notícia: iríamos mudar para o Ipiranga. Se essa notícia soou boa ou ruim, não lembro. Mas lembro que a primeira coisa que pensei foi na bicicleta! Será que teria que abandonar o modal?

No fim de semana seguinte, fiz um pedal de teste até o novo escritório e… ok. 5km por trecho, nada de absurdo. O desafio estava na sabidona da Luís Goes, morro acima. 50m de altimetria em 1km, será que aguentaria a paulada todo dia?

Vencer todo dia 50m de elevação em 1km pode ser baba pra maioria, mas pra mim não.

Então comecei pedalando dia sim, dia não. Percebi que, depois de uns meses, minha vontade de pedalar foi diminuindo. E por dois problemas: a altimetria e a hostilidade do trecho. Subir a Rua Luís Goes era um tormento, não pior do que pedalar pela Ricardo Jafet, tomando finas educativas de carros e ônibus ou pelas ruas esburacadas e nada agradáveis do Ipiranga. Zero ciclovias pelo caminho, o tempo todo em alerta máximo. A sensação de insegurança era grande, e confesso: beleza é fundamental pro pedal. As ruas do Ipiranga nada tinham de bonitas ou sequer passavam sensação de segurança. Tinha medo real de ser roubado em qualquer esquina.

O tempo passou, o verão chegou e fui deixando a bike pendurada novamente. A soma de calor excessivo + trecho desgastante + hostilidade me afugentaram do pedal. Até dezembro eu pedalava 2 a 3 vezes por semana. Sonhava em tornar isso uma rotina diária, mas infelizmente por conta dos problemas acima, isso não aconteceu. Não que não gostasse do escritório atual, mas morria de saudades da facilidade de acesso da Vila Mariana. Até tentei outras alternativas para não abandonar o pedal, como fazer passeios noturnos ou no fim de semana. Mas acho horrível sair pra pedalar por imposição, e não por praticidade. Na minha cabeça, considerar que ‘eu preciso pedalar porque faz tempo que não pedalo’ torna a bicicleta algo sem graça. Por mais que goste de pedalar, não vejo a bicicleta como um instrumento fitness ou lazer. É um meio de transporte. Seria como acordar um dia e pensar ‘faz tempo que não ando de ônibus, de hoje não passa’.


Volta

Nesse meio tempo, minha agência precisou de um espaço novo e foi anunciado que nos mudaríamos novamente. Uma mistura de esperança e receio me tomaram, pois tenho menos de uma hora entre sair do trabalho e buscar meu filho no berçário. Se nos mudássemos para longe, teria que procurar outro emprego ou escolinha. 

Depois de umas semanas rangendo os dentes, uma feliz notícia: nosso novo quartel seria na Avenida Paulista, no alto do Conjunto Nacional. Acreditem, estou 2,5km mais longe de casa em comparação ao Ipiranga. Lá totalizavam 5km e aqui 7,5km. Porém o trecho é praticamente todo plano e 80% por ciclovias! Eu consigo chegar em casa em 30 minutos, sem acabar com meu fôlego e por um caminho muito agradável. Agora, o melhor: pedalo todos os dias! 

Tapete vermelho visto do vigésimo andar.

Desde 2015 que não pedalo tanto, com tanta frequência e tão bem. Posso dizer que finalmente estou voltando a ser aquele ciclista urbano que tanto sentia falta. Meu maior prazer ao pedalar é fazer isso por ser útil, por agregar à minha vida e não porque ‘é saudável/ ecológico/ legal. É o meio de transporte que melhor me identifico.

Quanto tempo isso irá durar?

Será que minha empresa se mudará para um lugar de difícil acesso de novo?

Será que eu mudarei para uma empresa distante?

Será que vou enjoar do rolê?

Ah, são taaantas perguntas... 😁

Não sei, estou vivendo o hoje.

E hoje tá muito bom.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cicloativistas Anônimos


Os cicloativistas anônimos pedalam muito mais do que você. Não ligam se é Shimano ou Sram. Não estão nem aí se o pedivela for monobloco, aliás nem sabem o que é isso. Lubrificante “wet” pra corrente? Óleo Singer sempre foi e sempre será o ideal. Nada de roupa colada, capacete, luvas, luzes ou qualquer parafernália. Já usavam bike “single” muito antes de virar moda na cidade. Falando em cidade, eles pedalam por ela há décadas, e estarão pedalando mesmo se “a onda da bike” passar. Suas magrelas são de aço carbono, mas eles não sofrem nem reclamam disso. Melhor, podem soldar à vontade. Não têm medo de ladeira nem vergonha de subir empurrando. Como disse, eles pedalam muito mais do que você.


Cicloativistas Anônimos talvez sejam os mais legítimos dos que acreditam na bicicleta. Bem, ele não só acredita como faz dela sua realidade. Não está atrás de likes. Não que isso seja errado, mas é que Cicloativistas Anônimos não estão pela causa, estão pela praticidade.


Nunca são fotografados para ilustrar matérias (tá eu não fotografei ninguém aqui, mas não vou colocar fotos sem autorização, né?), nem são ouvidos quando uma ciclovia nova é inaugurada. Não devem ser fotogênicos o suficiente para vender a causa, na mente de alguns. Mas graças a eles, a verdadeira indústria da bicicleta brasileira roda, abastecendo bicicletarias de periferia, com peças muitas vezes de qualidade, mas sem grife. Aquela bicicletaria cheia de bikes usadas penduradas à venda, onde do lado da bomba de ar sempre tem um tanque cheio de água preta.



São cidadãos simples, que sem fazer alarde preenchem as estatísticas há muito mais tempo do que as próprias estatísticas existem. Não endeusam a bicicleta, tavez nem saibam o bem que fazem ao planeta. Apenas usam a magrela para o que ela foi feita: ir do ponto A para o ponto B.

Cicloativistas anônimos, o meu total respeito e MUITO OBRIGADO.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Eu fui: Lançamento do livro "A Bicicleta no Brasil"

  
  Nesta quinta (7) fui ao lançamento do livro “A Bicicleta no Brasil”, na Biblioteca Mário de Andrade.
O livro é fruto de uma parceria entre várias associações de ciclistas, o evento contou com representantes da prefeitura e vários cicloativistas.


O livro é dividido por capítulos, apontando dados sobre diversas capitais brasileiras. Abordam a condição geográfica e climática, iniciativas em prol da bicicleta ao longo dos anos e sobre associações de ciclistas na cidade. Tudo detalhado em números, imagens e numa diagramação limpa de bom gosto.

Para quem deseja adquirir o livro, ele está disponível em PDF para download: Clique aqui, preencha com seus dados e adquira seu exemplar!


Fora do assunto: 
  • Nunca vi tantas bikes com guidão borboleta! 
  • Do Ibirapuera até o centro em 50 minutos, só por ciclovias e no ritmo da lesma. 
  • Descer a Rua Vergueiro sentido centro se jantar é uma tortura: lotada de faculdades e botecos, o cheiro de churrasco, batata frita, bacon e inúmeras lanchonetes e restaurantes no caminho podem te matar.

sábado, 18 de abril de 2015

Nova roupagem pra uma velha companheira.


Nesta última semana passei por uma grande decepção com o quadro que havia comprado há apenas oito meses da Vzan, conforme relatado no post anterior. Mas a vida é feita de oportunidades, então surgiu um quadro de Caloi Vitus.

Transportei todos os componentes para o novo quadro, com excessão do descanso, do canote e sua abraçadeira. Por sorte, tinha essas peças sobressalentes da velha e boa Mocinha.

O quadro tem medidas menores, mas fortunadamente encontrei uma posição bastante confortável e ouso dizer que melhor que na Vzan. Ter suporte para 2 caramanholas e furos para bagageiro tornam esse quadro especial. Aliás, seu desenho é muito semelhante ao da Caloi Elite 2.7, o que me dá tranquilidade quanto à qualidade de sua construção. 

Essa bike nasceu como Soul e ganhou o nome de Mocinha, depois mudou pra Vzan e foi rebatizada de Brisa e agora como Caloi, ganhou o nome de uma diva do jazz: Bessie Smith.

Amanhã, domingo, se o dia nascer feliz, ela vai passear bastante.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Pequenos caminhos, grandes diferenças.

Esta semana fui "presenteado" com um trecho de ciclovia bem no meu caminho diário. São exatos 1,5 km, que somado aos 1,2 km de ciclovias que já uso no parque do Ibirapuera, fazem com que eu percorra 50% do meu trajeto diário por ciclovias. Isso dá 5,4 km em vias segregadas todos os dias.

Ciclovia passando pelo arborizado bairro de Mirandópolis, ZS de São Paulo.
Sempre leio que a oferta gera demanda. Isso explica o aumento do trânsito sempre que um viaduto ou via nova é inaugurada. O mesmo vale para a bicicleta: no trecho novo de ciclovia foi implantado entre as ruas Madre Cabrini e a Praça Maria Margarida Baldy de Araújo (ufa!), por onde pedalo quase todos os dias há mais de um ano e raramente via outros ciclistas. Agora, com uma ciclovia que não tem nem uma semana de vida, encontro em média 2 pedaladores em 1,5 km de trecho, facilmente vencido em 10 minutos. Incluindo a mim, são 3 ciclistas a cada 10 minutos. Uma conta rápida: 18 ciclistas por hora, 216 em 12 horas! De onde surgiu tanta gente? Isso prova que, quando as pessoas se sentem mais seguras, têm forte tendência a experimentar meios alternativos de locomoção.

Trecho pequeno, mas um minicosmos do que as ciclovias podem fazer pela cidade.
Todos ganham com as ciclovias: são menos carros e motos nas ruas, menos pessoas nos ônibus e trens, o que diminui a poluição, o trânsito e a lotação. Ganhos indiretos: melhora do bom humor das pessoas, afinal pedalar é uma terapia; mais tempo para cada um viver sua vida, pois com menos trânsito, chega-se mais rápido; mais saúde, pois pedalar faz bem; menos gastos no posto de combustível, e esse dinheiro vai movimentar a economia no mercado, no shopping... todos ganham.

Aceitar e apoiar a construção das ciclovias é uma maneira de tornar a cidade melhor para todos, inclusive para você.

Boas pedaladas!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dia Gabriel Sem Bike

Ontem foi o Dia Mundial Sem Carro, que eu relatei no post anterior. Dia de congestionamento acima da média. Claro, o congestionamento não me atinge e até me ajuda, afinal, carro parado não atropela.

Hoje resolvi fazer o Dia Gabriel Sem Bike, pois acordei com vontade de caminhar. Antes de adotar a magrela eu era adepto das caminhadas, e foi vendo os ciclistas pelo caminho que acabei me tornando mais um.
Caminhadinha
Neste fim de semana minha noiva me perguntou se eu ainda fazia caminhadas, e percebi que só caminho quando empurro minha bike morro acima (e a última vez que fiz isso foi em fevereiro, no Caminho do Sol).

Hoje de manhã deixei a bike em casa e vim caminhando. Diferente da minha época pré-bike, eu não cheguei cansado. O tempo foi o mesmo de sempre: 1 hora para 5 quilômetros. Aproveitei para fazer uma contagem de ciclistas pelo meu caminho.

Quando vou de bike eu sou ultrapassado ou ultrapasso coisa de 3 ou 4 ciclistas, mas a pé e com mais tempo na rua, eu vi bem mais: 25 pedaladores. Três pela calçada, um que ignorou o farol vermelho e um cruzou em alta velocidade um posto de gasolina para cortar caminho. Ou seja, 1/5 dos ciclistas que vi são vacilões, na média da falta de educação nacional. Vale ressaltar que não são apenas ciclistas, mas cidadãos. Poderiam ser motoristas, usuários de ônibus ou motociclistas. São pessoas que julgam que suas necessidades sobrepõem-se às dos demais. sorte que foi uma minoria.

Considerando que eu fiz um caminho irregular, passando por algumas ruas ascendentes que são difíceis até de descer, considero o número grande. A maioria destes eu vi nas avenidas, ou seja, o dia que colocarem uma ciclovia na Indianópolis, ela será muito bem aproveitada.

Agora falta esperar o dia terminar para fazer a segunda parte da caminhada, já com saudades da minha magrela, a Brisa.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eu vejo ciclovias. O tempo todo.

Está acontecendo algo interessante em São Paulo. Ciclovias surgindo em vários lugares.

Saí para conhecer um trecho que inauguraram perto de casa, e acabo trombando com outra ciclovia em construção!





A sensação imediata foi de fartura, igual quando você pede uma pizza e ela vem com borda de catupiry grátis.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mobilidade urbana

Às vezes nos prendemos ao que estamos acostumados e não enxergamos alternativas.

Minha noiva mora em Guarulhos, 40km de minha casa. Tem alguns domingos no mês que eu passo o dia na casa dela. Sempre fui de carro, por achar muito arriscado encarar marginal e Dutra de bike. Mas chegar lá pedalando sempre foi um desejo.

Nesta semana resolvi estudar o mapa da cidade para tentar encontrar uma rota segura. Olhando bem, descubro uma estação de trem próxima ao bairro dela. Linha Brás > Calmon Viana, estação Ermelino. O engraçado é que sempre pensei que o bairro de Ermelino fosse muito mais longe do que Cumbica, onde minha noiva mora. Da estação até a casa dela são apenas 5 km.

Neste feriado de 1º de Maio eu fiz o teste. Embarquei no metrô perto de casa e cheguei em aproximadamente 2 horas, uma a mais do que usando o carro. Porém economizo 1/4 de tanque de gasolina e ainda pedalo por lugares novos.


O bom é que a avenida da estação acompanha a linha do trem. Posso prolongar o passeio por uns km e embarcar algumas estações à frente. Mas o plano pras próximas vezes é de voltar pedalando até a zona sul, pelas entranhas da cidade.

Infelizmente a CPTM permite bicicletas nos trens apenas aos domingos, salvo se for uma dobrável dentro de um case. Mas ainda assim é uma "mão na roda" deixar o carro na garagem também no fim de semana.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mobilidade urbana.

Incrível como a vida dentro de um carro torna as distâncias menores, ao mesmo tempo em que as tornam maiores.

Ando em média 13km por dia, e nos domingos chego a andar 20, 30, 40... depende pra onde eu vou, do meu roteiro espontâneo.

Hoje fiz algo diferente do meu cotidiano: fui ensaiar com minha banda, de bike! O estúdio fica a 15km do meu trabalho e a 20 de casa. Totalizando, hoje pedalei 40 km, dentro da média de um fim de semana. Nada absurdo e até tranquilo.




O mais engraçado é que sempre achei que seria loucura ir de bike pro estúdio, mas - mais uma vez - era tabu da minha cuca. Se eu falar na mesa do bar, vai parecer loucura mesmo:  dizer que saí do bairro da Saúde, passei no Ibirapuera, depois Faria Lima, Pedroso, Praça Panamericana, USP, Sezefredo e finalmente em Osasco? Loucura!

Então, repito a primeira frase deste post:  "incrível como a vida dentro de um carro torna as distâncias menores, ao mesmo tempo em que as tornam maiores."

Quando somos reféns das quatro rodas, até a padaria parece distante sem elas.