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terça-feira, 15 de junho de 2021

Ciclovia Leste Rio Pinheiros







Bom dia/tarde/noite :)

Seis Oito anos depois, revisitei a ciclovia da marginal leste do Rio Pinheiros. Aquela ao lado da linha férrea. 

Essa ciclovia começava no extremo sul da cidade. Porém o governo interditou parte dela para construção de uma linha de metrô que nunca foi entregue, e desde então a ciclovia está dividia em dois, sem acesso uma com a outra.


O trajeto que pedalei foi recentemente entregue à iniciativa privada, que explora o local com publicidade e lojinhas ao longo da ciclovia. Pintaram o piso, tiraram lombadas e enxertaram um asfaltinho aqui e outro ali. Colocaram uma área com DJ discotecando. Pronto, agora é faturar. A segurança ainda é bancada pela CPTM, ou seja, Concessão à iniciativa privada porém a fatura ainda é pública.


Ao todo são 10 quilômetros, da ponte estaiada até o Jaguaré. Em ambas as extremidades, apenas um retorno pois não existem acessos. Somente três pontos para chegar nela: pela ciclopassarela do Parque do Povo (acesso pela calçada externa), ponte Cidade Universitária (acesso pela calçada sentido bairro) e por uma passarela ao lado da estação Vila Olímpia da CPTM.


Por conta dos limitados pontos de acesso, é uma ciclovia pouco usada para mobilidade, ficando restrita a lazer e treino esportivo. Na verdade, se você for passear nela durante a semana, só vai encontrar grupos treinando ciclismo de estrada. A chance de ser hostilizado por pedalar em velocidade recreativa é grande. No domingo, quando supostamente tal prática esportiva é proibida, haviam diversas pessoas pedalando muito forte, em ritmo de treino. Dois ciclistas quando me ultrapassaram ainda foram mal educados. É um péssimo comportamento que só ajuda a má fama que os ‘speedeiros’ ganharam ao longo do tempo. Jamais generalizando, mas a verdade é que tem muita gente escrota em qualquer meio, que só ajudam a queimar o filme da geral. Enfim.


Infelizmente o lado oeste continua abandonado, sem concessão nem patrulhamento. Tem o nada carinhoso apelido de ‘Ciclofaixa de Gaza’, devido ao grande número de assaltos que ocorrem naquela margem. É um passeio bonito, pois aquela margem é mais ajardinada. Mas o risco não compensa.


Foi um passeio agradável, com muito vento contra na ida ou na volta, dependendo da condição climática. Excelente para treinos por ser plana e longa. Eu mesmo que não sou de acelerar mantive uma média de 27km/h lá.


Recomendo a visita, pois é um espaço muito bacana para se pedalar na cidade, mesmo o cheirinho do rio se fazendo presente às vezes e com alguns usuários cujo espírito é tão sujo quanto. Agradável tanto para pedalar quanto para refletir sobre qual cidade queremos.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Pedalando até Guararema 2 #SQN


Dias atrás, dando continuidade à minhas pedaladas de sábado, resolvi revisitar uma pedalada muito bacana que fiz em 2014 para Guararema. Você pode ler o relato que fiz na época clicando aqui.
 

A pedalada começa na estação Estudantes, seguindo por 22 km passando por uma avenida, que se torna estrada e desce uma serrinha, depois alguns sobes e desces e muita paisagem bonita até Guararema.


A pedalada teve um ar nostálgico, pois remeteu a uma época muito gostosa de minha vida. Na época, o que me inspirou a fazer esse passeio foi uma postagem do saudoso antigão, que fizera tal passeio uma semana antes. Não deixe de seguir seu blog, clique aqui. Ele partiu para o outro plano há dois anos, mas seus relatos e viagens o mantém vivo e sempre são uma leitura primorosa sobre cicloturismo. 


Voltando ao relato, eu cheguei até a estação Estudantes vindo direto da Luz, montei na bike e saí para o passeio. Logo no primeiro quarteirão, senti o banco muito baixo - havia feito um bikefit virtual, mas ficou muito baixo para mim e tive que ajustar. Subi algo em torno de 1cm e como consequência, minha coluna ficou mais inclinada. 


Pouca coisa mudou pelo caminho. A avenida parecia a mesma de sete anos atrás, salvo por um movimento maior de carros. Segui tranquilo e cruzando alguns ciclistas pelo caminho. Assim que a pista dupla acaba, 8 km’s depois, começa a área mais rural e aprazível do passeio. Haviam algumas barracas de frutas nos acostamentos, e algumas chácaras com hortas podiam ser vistas pelo caminho. Pensei em comprar alguma coisa e trazer no bagageiro, mas acabaria moído quando chegasse em casa, horas depois.


A descida da serra se deu em poucos segundos. São 4 ou 5 km de descida no total, considerando do alto da serra até quase o posto policial. A parte mais íngreme se dá nos 2 quilômetros iniciais (ou finais, se estiver voltando). Após isso seguimos num sobe-desce mais ameno (dá-lhe perna) até a lagoa onde fica o portal da cidade.


Chegando na boca da cidade, já decidido a subir o mirante pela primeira vez, encontro um bloqueio de carros. Não estavam parando os ciclistas, mas eu parei e perguntei pra moça o que estava acontecendo, e ela disse que somente moradores ou prestadores de serviço poderiam adentrar à cidade, por conta das restrições ao coronga. 


Eu poderia ter mentido, ou mesmo ter passado reto no bloqueio, pelo outro acostamento, poderia ter dito que tinha um compromisso… desculpas não faltariam para entrar na cidade. Poderia. Mas tal ‘jeitinho’ é atitude de ‘cidadão de bem’, aquele que esbraveja contra os problemas mundanos alheios tanto quanto usufrui dessas pequenas corrupções, quando lhe favorecem.


Enfim, dei meia volta e fui aproveitar o pedal pela estrada. Guararema ficará na promessa para a próxima oportunidade.


O caminho de volta foi um pouco cansativo, aquela sublinha no banco começou a cobrar sua conta e passei a sentir dores nas costas. O pedal fluiu, porém desta vez a subida da serra foi mais sofrida. Em 2014 eu parei 2 ou 3 vezes para descansar, inclusive no meio da descida, onde há uma imagem de Nossa Senhora. Resolvi fazer tudo numa tacada só, com uma relação de coroa única de 36 dentes na frente e 32 atrás. Ao chegar no alto da serra, falando sozinho ao melhor estilo ‘Gabriel’, eu paro pra tomar uma água e descubro que tinha um ciclista me seguindo hahaha deve ter pensando que o gordinho é doido. E com razão.

arf, arf, arf

Terminei o pedal nos últimos quilômetros até Mogi das Cruzes, onde cogitei almoçar, mas daí lembrei que na noite anterior deixei todo o almoço preparado, com um picadinho com cogumelos e batata lindo na panela. Fui salivando a viagem toda.


O resultado foi um pedal meio frustrado por não ter completado a meta de chegar na cidade. As dores nas costas passaram depois que ajustei a altura do guidão. Enfim, Guararema terá que esperar mais um pouco.


Números do rolê

Quilômetros pedalados: 45.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Fiquei com vontade de comprar hortaliças, mas foi um abacaxi.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô-trem ida 1h30/ passeio 2h /trem-metrô volta 1h30).

Baixas: nenhuma.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Estrada Velha de Santos

Sábado de Aleluia, outono, clima ameno, com sol e zero chance de chuva. Qual ciclista não pensa em dar uma volta de bicicleta, com tanta coisa favorável, não é mesmo?

Eu resolvi desta vez fazer um cicloturismo rápido: pedalar na Estrada Velha de Santos, a linda Rodovia Caminho do Mar. 


Em tempo: considero cicloturismo qualquer pedalada cujo fim é conhecer ou aproveitar destinos, seja por de lazer, contemplação ou enriquecimento cultural. Cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio urbano. É mais um estado de espirito do que uma ação concreta. Novamente, é uma concepção particular.


Já conhecia essa estrada indo de carro e acho que de moto também. Mas pedalar nela foi a primeira vez. De muitas, aliás. É uma perspectiva completamente diferente, como se nos banhássemos da viagem.


Não saí muito cedo de casa, acho que foi pelas 8 da manhã. Foi uma estratégia para evitar grupos de ciclistas e aglomerações, uma vez que parece regra, nós ciclistas adoramos madrugar pra pedalar. Tomei o metrô e fui até a estação Tamanduateí, de onde peguei o trem até Ribeirão Pires.


Bike no trem

Ao sair da estação, cruza-se a linha do trem e segue pela avenida paralela. Após 1300 metros, se chega à entrada para a rodovia Índio Tibiriçá, onde já se encara talvez a subida mais chata do percurso. Depois disso, se seguem 12 quilômetros por esta estrada, praticamente uma reta de subidas e descidas bem gostosas. Aliás, sempre achei essa estrada muito chata para percorrer de carro, mas de bicicleta é a segunda vez que passei por ela e é muito agradável. No meu percurso, poucas bicicletas. Porém, no sentido oposto, haviam muitos grupos de ciclistas já voltando do passeio (lembra o que escrevi sobre ciclistas adorarem acordar cedo?).


Percorridos esses 12 quilômetros, chega-se na Caminho do Mar. Siga à esquerda no trevo, seguindo as placas que mostram o caminho do portal, pois se seguir à direita você acessa a rodovia Anchieta. É aqui que começam os 8 quilômetros mais bonitos do passeio.


Por ser uma rodovia “sem saída”, o movimento de carros é exclusivamente de turistas, em sua maioria pessoas que vão correr ou pedalar. Existem também alguns restaurantes no caminho, especializados em pescados, porém estes estavam fechados devido à pandemia. Haviam ambulantes vendendo bebidas e açaí, talvez a única fonte de água potável disponível nessa estrada atualmente.


Passam-se 2 pontes sobre a represa. A segunda delas é um convite à contemplação, pois é baixa e parece tornar toda a imensa represa do Riacho grande numa lagoa bucólica. 

A máscara torta deve ser consequência do sorriso largo.

Alguns poucos momentos à frente, se chega no portal do parque. Aos mais velhinhos, é o local aonde havia o pedágio da estrada, quando esta era aberta para carros descerem ao litoral. Aliás, uma pena não podermos fazer esse percurso. Sou muito mais favorável a adaptarem este caminho e liberá-la até Cubatão, do que haver tanta luta para o uso da estrada de manutenção da Imigrantes. A descida possui vistas espetaculares, construções históricas e muito mais silêncio, por passar longe das descidas de serra da Anchieta e Imigrantes. Enfim, fica no meu sonho.


No percurso de volta, nada de novo. Mas muito agradável e jamais enjoativo. O ponto chato fica por conta da última subida antes de chegar na entrada de Ribeirão Pires, que começa depois da ponte sobre a represa, num trecho de falso plano, que vai se intensificando até chegar ao mesmo ponto que termina aquela subida chata do começo do pedal. Quase 3km, com o último acentuando um pouco a subida. Em suma, não se trata de uma preocupação, pois não é um aclive íngreme, mas como é final de passeio fica chatinho por conta da expectativa de chegar. De última hora, decidi seguir até Rio Grande da Serra. A diferença é pequena, coisa de 3 ou 4 quilômetros, mas deu uma graça a mais no passeio, além de totalizar 50 quilômetros. Basta seguir rumo a Paranapiacaba.


Cheguei na estação, peguei um trem vazio e segui rumo minha casa. Desci na estação Ana Rosa, abrindo mão da última baldeação para finalizar os últimos quilômetros pela ciclovia, até em casa.


Foi um sábado delicioso, que somaram 5 horas entre a saída e chegada em casa, com 3 horas pedaláveis e muito bem aproveitadas. Olha, foi muito bom! Me pergunto por que cargas d’água nunca fiz tal passeio, com acesso tão facilitado a esse lugar maravilhoso. Serviu como quebra-gelo, me instigou a voltar pra Guararema e fazer outros bate-voltas ao redor da cidade, aproveitando o alcance dos 370 quilômetros de malha metro-ferroviária de São Paulo.


Mesmo porque pedalar pelas ciclovias da cidade já cansou um pouco. E foram quase 700 quilômetros por elas em 2021.


Bora cicloturistar os arredores da Grande São Paulo!



Números do rolê

Quilômetros pedalados: 50 cravados.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Ouvindo: músicas infantis do meu filho que não saíam da cuca.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô/trem/passeio/trem/metrô).

Baixas: medo de rolês fora da cidade.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Viajar de bicicleta: máximo de km’s por dia, ou máximo de contemplação?


Apesar de cicloviajar menos vezes do que gostaria, não deixei de acompanhar o tema, principalmente em canais do youtube.

Ah, explicando: devem existir diferenças oficiais entre cicloviagem e cicloturismo, mas eu possuo um conceito pessoal para cada um deles. Podem estar completamente errados, aliás:


Cicloviagem: qualquer viagem feita de bicicleta. Por necessidade, condicionamento físico ou lazer.


Cicloturismo: atividade de lazer com objetivo de conhecer lugares ou atrações turísticas usando a bicicleta como meio de transporte.


Ou seja, o cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio qualquer, mesmo dentro da sua própria cidade. 


Meu primeiro contato com o tema foi através do blog do saudoso Waldson Gutierres, o Antigão. Seu modo de narrar as viagens, das dificuldades à contemplação da natureza do caminho, me fascinaram de imediato  e passei a admirar quem faz turismo dessa forma. Em geral, suas distâncias diárias não eram grandes, mas suas viagens levavam vários dias. E ele ia longe.



Passei a entender que cicloturismo não dependia de grandes metas diárias, mas em saborear o prazer de cada paisagem, de cada lugar. Há planejamento, objetivos, mas pensado de modo a aproveitar o caminho.


Acontece que, assistindo a maioria dos canais de youtube, percebi que a maioria dos cicloviajantes tem foco em vencer grandes distâncias, virar a noite pedalando, ganhar condicionamento, treinar. Pedais de 100, 200 quilômetros, onde se acampa ou chega em pousadas já no meio da noite e recomeçam no dia seguinte antes do sol nascer. As paradas parecem ser apenas para refeições. Adoro assistir a esses blogs, e apesar de não ser o tipo de cicloviagem que eu faria, é viagem de bike, né? Sempre é legal assistir.


Mas essa visão romântica do Antigão, de pedalar sem pressa e aproveitando o caminho, é mais rara. É mais popular entre os aventureiros de longa jornada, que estão há meses ou até anos na estrada. Bem, o próprio Waldson era um senhor já aposentado, que planejava suas viagens com antecedência e sempre considerando distâncias médias, que poderiam ser cumpridas sem pressa, ao longo do dia.


Um dos seus relatos que mais gosto de reler é sua viagem nos 800 quilômetros pelo litoral paulista, de Ilha Comprida à Parati. Os cicloviajantes de performance em geral levariam 4 ou 5 dias de muito suor e lágrimas para terminar o desafio. O Antigão, cicloturista, levou 18. Mas fez amigos, histórias, fotos e lembranças.


Respeito e admiro qualquer modo de cicloviagem. Quem define o melhor para si é o viajante. Mas eu sempre escolherei o cicloturismo para as minhas saidas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Minha experiência numa e-bike.

O mercado mundial de e-bikes está crescendo como nunca. Seja em esportes ou na mobilidade urbana, as bicicletas elétricas vieram para ficar. Mas e aqui no Brasil? Bem, eu não acompanho profundamente a movimentação mundial desse mercado, apenas minha percepção local eu posso considerar, e salvo pontuais excessões, é um mercado dividido entre tecnologia velha e de ponta, ambas muito inacessíveis. 

Atualmente existem modelos modernos à disposição no Brasil. Porém, seus preços são proibitivos para a maioria de nós, por conta da alta do dólar, da tecnologia e da carga tributária. Na faixa de entrada, transbordam modelos que podemos considerar como bicicletas de fundo de quintal, pois são basicamente bicicletas comuns, montadas com o que há de mais barato disponível, acrescidas do sistema elétrico. As excessões são poucas, bem poucas.


Bicicleta de preguiçoso?

Se fosse verdade, o que o motociclista e o motorista seriam?


A e-bike um veículo moderno, que está revolucionando a mobilidade urbana e o ciclismo. Quem pedala uma e-bike não é preguiçoso, visto que nem todo trajeto e nem toda pessoa mora são combinações ideais. Subidas, calor, hostilidade e grandes distâncias impedem muitos cidadãos de usarem bicicletas convencionais. Nem todos têm físico e biotipo privilegiado, mas todos têm o direito de ir e vir, junto a insatisfação com a qualidade do transporte público. Some isso ao valor do combustível, do estacionamento, das taxas anuais para se manter um veículo motorizado... deu preguiça só de pensar, né? 


Para algumas pessoas o carro é indispensável, para outras, uma bicicleta resolve e para tantas outras, um bom tênis é mais que suficiente. Porém, há um enorme 'meio termo' entre todas essas realidades. Quando trabalhava na Paulista, conseguia usar a bike quase que diariamente, porém ainda chegava um pouco suado no trabalho, tendo que trocar a camisa. Se tivesse a ajuda de uma e-bike, não precisaria me preocupar com isso. 


No lazer, o conceito é o mesmo: todos têm o direito de usufruir dos prazeres do ciclismo, de treinar com segurança e desbravar caminhos de bicicleta. De chegar mais longe, de curtir o passeio sem medo de dores desnecessárias. A e-bike te livra da fadiga excessiva e não há problema algum nisso. Tem pessoas que nem com todo o treino do mundo, alimentação correta e sono em dia conseguem pedalar grandes distâncias, mas elas adorariam fazer isso, se fosse possível.



Já ouviu falar de pedal assistido?

Não, não é um pedal que passa na televisão (rs)

Bicicletas com pedal assistido possuem um sensor que capta o movimento do pedivela, entende que a bicicleta está em movimento e aciona o motor.  Existem basicamente dois tipos de pedal assistido: com sensor de giro e com sensor de torque.

 

Sensores de giro acionam o motor ao detectar que o ciclista pedalou. É pá-pum: entendeu que o ciclista quer andar, já entrega a força máxima programada. É um sistema mais arcaico, com menos escalonamento da potência entregue, ou seja, se você precisar manobrar em baixa velocidade, corre o risco do motor dar um tranco, te dando um susto que pode te levar ao chão. Para dar alguma segurança, esse sistema tem um sensor nos manetes de freio, que desliga o motor ao ser acionado. 


sensor de torque é uma evolução. Consiste em um sistema que calcula a pressão exercida, acionando a potência do motor de acordo com ela. Se você pedala tranquilamente, ele te ajuda suavemente. Se vier um esforço maior por conta de uma subida, ele aumenta a entrega do motor, afim de compensar essa diferença. Somado aos níveis de assistência programáveis pelo ciclocomputador, é um sistema que pedala contigo, e não para você. Essa tecnologia surgiu nos motores centrais (na região do pedivela), mas bicicletas com motor traseiro (no cubo da roda traseira) mais modernas já possuem o recurso. 



E-bike ou bicicleta adaptada?

O mercado está usando cada vez mais o termo e-bike para se referir a bicicletas com auxílio elétrico. É um apelo mercadológico que a meu ver desmerece a verdadeira bicicleta elétrica, ou e-bike. 


Em resumo, uma e-bike é uma bicicleta que foi projetada para ter auxílio elétrico, e esse auxílio se dá via pedal assistido. Já uma bicicleta comum, que recebeu um kit elétrico, deveria ser chamada de bicicleta eletrificada. E mais: se possui acelerador, nem bicicleta é, já vira ciclomotor.


As bicicletas eletrificadas são, em geral, os modelos mais baratos do mercado. Na maioria das vezes, são bicicletas com componentes de baixíssimo custo, para compensarem o valor do kit elétrico. Só que uma bicicleta com componentes de baixo custo mal conseguem dar conta de si mesmas, tampouco receber um kit elétrico, que irá levar tais componentes ao limite. Tem que ficar muito de olho ao comprar uma bicicleta dessas. Em geral elas têm um visual bem poluído, com muitos cabos e componentes expostos.


Uma bicicleta projetada para ser e-bike sempre terá um visual mais harmônico. O quadro e toda a estrutura é projetado para receber bateria, motor, fiação e tudo o mais. Quando a bateria fica no bagageiro, este é projetado sob medida e não parece uma adaptação. Em todos os casos, o sistema controlador é embutido, diferente das adaptações, onde ficam todos expostos do lado de fora da estrutura dos quadros. Em alguns modelos, o sistema elétrico é tão bem adaptado que a e-bike parece uma bicicleta comum. 


Caso você deseje eletrificar sua bicicleta atual, dê atenção aos componentes dela. Vale colocar uma relação nova, freios melhores, conferir se o quadro aguenta, pois a bateria será um peso permanente, seja no down tube ou no bagageiro. Também verifique o movimento central e considere trocar a 'caixaria' por um cartucho selado. Se você usar uma bike ruim, erá uma e-bike ruim. Não economize em ítens de segurança, pois é sua integridade física que estará em jogo.



Minha experiência

O fator psicológico é capaz de derrubar até o ciclista mais preparado. 


Já cheguei a desidratar e ter exaustão no meio de um trajeto. Isso numa época em que eu era muito mais preparado fisicamente do que hoje em dia. Mais magro, mais forte, mais jovem. E o blackout aconteceu, no meio do nada, sem água e no verão mais quente e seco que tivemos na década passada. Sorte que Deus colocou pessoas boas no caminho, que me deram água e sombra para me revigorar. O medo de que isso se repita sempre me assombrou, tirando parte do prazer de uma pedalada longa. E é contra esse fantasma que uma e-bike é eficiente.


Tive a oportunidade de pedalar uma e-bike moderna, com motor traseiro de 250w, pedal assistido com sensor de torque e 5 níveis de assistência. Testei todos os níveis de assistência e logo percebi que os níveis máximos são para mobilidade urbana, o famoso "chegar sem suar". Nos níveis mínimos, a e-bike se torna uma excelente aliada da saúde, permitindo uma atividade física controlada e segura. Essa é a maravilha do sensor de torque: ele não faz a e-bike rodar por você, mas com você. 


Resolvi fazer um caminho conhecido, que é um circuito onde vou pela Paulista até a Vila Madalena, subindo até a Cerro Corá, seguindo por ela até o cemitério da Lapa e descendo ao Parque Villa Lobos, voltando pela ciclovia da Bernardino de Campos até a Faria Lima, Vila Olímpia, Moema, Indianópolis, Igreja São Judas, Av Jabaquara e finalmente minha casa. 40 lindos e arborizados quilômetros urbanos com subidas íngremes em diversos momentos. 


Como eu pretendia fazer um exercício aeróbico, deixei a e-bike na assistência mínima, e saí para pedalar. Foi maravilhoso! As arrancadas eram suaves, os aclives da cidade desaparecem e minha cadência permanecia constante, gerando uma queima calórica saudável e muito prazeirosa. Fazia apenas o esforço apenas para manter a velocidade e, nas subidas mais íngremes, subia para uma marcha mais leve e aumentava para assistência 2, afim de equilibrar cadência e esforço. Um sucesso.


De bicicleta comum, termino sempre com os músculos exauridos, impedindo qualquer exercício no dia seguinte. Com a e-bike, eu cheguei em casa transpirando, mas com os músculos em dia, fortalecidos pelo exercício mas sem dores por conta de esforço excessivo. Foi tão bom que no dia seguinte consegui pedalar distância semelhante, inclusive subindo a Av. Rebouças sem medo! Naquela semana, somei mais de 160 km's pedalados, um record pessoal.


E-bikes são o futuro? A bicicleta tradicional vai morrer?

Creio que as e-bikes serão mais acessíveis ao longo do tempo, com a evolução tecnológica das baterias e motores. Só espero que essa evolução se dê pelo amadurecimento do consumidor, e não porque uma tecnologia se tornou ultrapassada e seu preço ficou mais atraente. O Dólar e os impostos jogam contra essa evolução, mas posso falar que as e-bikes vieram para ficar. 


Não creio que a e-bike irá matar a bicicleta tradicional, pois ela continuará sendo o veículo mais prático e eficiente que existe. Mas acredito que elas estarão cada vez mais destinadas ao esporte e lazer, deixando um pouco a função mobilidade para as e-bikes. Tudo depende de como evoluirá a tecnologia, e quanto ela custará para nós. 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Pedal solitário até Ribeirão Pires

Bom Dia/Tarde/Noite!

Domingo passado estava louco para matar a saudade da ciclofaixa de lazer, que voltaria a funcionar naquele dia. Mas antes do prazer vem a obrigação, portanto peguei minha sacola e parti a pé para a feira do bairro. 

Chegando na Av. Jabaquara, encontro a ciclofaixa e perco o ânimo: dezenas de pessoas amontoadas nos faróis, sem distanciamento, metade sem máscara, muitos cagando pra presença dos bandeirinhas e fazendo suas próprias regras... um nojo. O que poderia ajudar a criar uma nova cultura ciclística na cidade só serve para que os novos ciclistas se banhem em maus exemplos e sejam tão mal educados quanto os motoristas e motociclistas da cidade. Definitivamente, o público da ciclofaixa é o reflexo de uma sociedade mal educada, que burla qualquer regra quando lhe convém.

Decidi então que, ao invés de passear pela coronafaixa de lazer, iria fazer passeios solitários pela cidade e em torno dela. Decidi inaugurar esses passeios com uma esticada até Ribeirão Pires, partindo de minha casa. Ando bem enferrujado e necessitado de movimento.

A semana voou e no domingo seguinte acordei bem cedo, e antes de amanhecer já estava pedalando sentido Jabaquara. A previsão do tempo apontava um dia mais frio e com alguma garoa. Estava muito aprazível aquele fim de madrugada, com 16 graus.

Chegando no Jabaquara, peguei a ciclovia que vai até Diadema, saindo dela alguns kilômetros à frente, descendo uma rua diretamente para a Rodovia dos Imigrantes. Foi uma boa escolha sair nesse horário, pois existem diversos lugares com relatos de assaltos naquelas regiões. A escuridão me camuflava. Liguei apenas a lanterna traseira, por segurança. A lanterna dianteira só usava quando queria alertar alguém da minha presença, em geral pessoas se exercitando pelo acostamento.

Passando um pouco de Diadema, começou a garoar. Nessa hora o dia começou a raiar, e pedalar pela estrada estava uma delícia. Apareceram outros grupos de pedal, todos muito mais rápidos que eu hehehe... meu ritmo médio é entre 8 e 15 km/h. O tempo todo tinham ciclistas atrás de mim ou à minha frente. Mantive uma distância saudável de todos - mínimo de cem metros - pois não estava afim de colocar a máscara naquele momento. Em certo momento, achei uma lanterna tática piscando no chão. Um modelo antigo, à pilha. Bem nessa hora não tinha nenhum ciclista à vista, e a neblina apertou. Coloquei no bolso e segui meu caminho, pensando que iria ver alguém procurando à frente. No fim só lembrei dela no meu bolso quando cheguei em casa.

Chegando perto da represa, a garoa aumentou, combinada com neblina. Como há dias não chovia, o chão estava cheio de fuligem e barro. Pensa numa bike de pneus lisos 700x25 (muito finos) e sem paralamas. Resultado: passei a viagem inteira tomando sujeira no corpo todo, uma nhaca! Eu via as bolinhas de lama voando em cima de mim! Era engraçado e irritante ao mesmo tempo. 

Passei o pedágio, naquela interminável subida suave, que chega a dar preguiça. Cheguei na interligação e parei para umas fotos e comer uma barrinha de cereal. 


Lavei a cara pra foto, mas ainda saiu suja.

Falando em cereal, algum caminhão (ou alguns) levando milho para o porto de Santos passou derramando boa parte do alimento ao longo da estrada. Vejam na borda do acostamento a quantidade de grãos. O rastro de alimento começou depois do Rodoanel e me acompanhou até eu chegar na Anchieta. Desperdício normalizado num país com gente passando fome.

Nem João e Maria jogaram tantos grãos pelo caminho.


Passei os 10km da interligação debaixo de chuva e visibilidade baixíssima. Os grupos de pedal ou seguiam para a Estrada de Manutenção, ou davam meia volta até SP. No meu roteiro estava sozinho. Claro que, no momento que parei atrás de uma placa pra fazer xixi, passa um carro buzinando. Eu ri, porque faria o mesmo rs.

Chegando na Anchieta voltei a ver ciclistas, que faziam o mesmo que os colegas da Imigrantes. Iam até o retorno e voltavam. Mais 10km se seguiram e cheguei na Rodovia Caminho do Mar. Estradinha gostosa de pedalar, com uma vista agradável das lagoas que margeiam a estrada. Pedalei por este caminho sentindo um cheio de comida que me torturava. Estava na Rota do Peixe. Que fome que me bateu! Logo à frente, entrei na rodovia Índio Tibiriçá. Fui o único ciclista que não seguiu em direção ao polo ecoturístico, onde está a velha estrada para Santos. Ainda bem, aliás! Tem muito restaurante exalando cheio de peixe por aqueles caminhos e eu ia perder o foco! Já fiz esse caminho de carro e é um passeio muito bonito, cheio de verde e belas passagens pela represa, ainda pretendo fazer esse trecho pedalando e comendo.


Depois que secou, o excesso de barro saiu na palmada hehehe


A Índio Tibiriçá é uma rodovia gostosa de pedalar. Tem seus aclives e declives, nada absurdo, mas para alguém que já pedalou 60 km com chuva e lama na cara, se tornou um pouco cansativa. Aquele psicológico 'tá chegando'. Foi muito boa a pedalada, a estrada é um tapete só e mesmo com o tempo nublado pude apreciar sua beleza. Venci esses últimos 13km relativamente rápido, apesar de ter tido cãibras em dado momento, onde resolvi parar num ponto de ônibus, comer mais uma barrinha e descansar uns dez minutos. Tava tão gostoso ficar lá, pelo ar fresco e o cheiro de mato, que quase dormi! Enfim, antes que a preguiça tornasse tudo pior, montei na bike e fiz os últimos 5 km. 

Cheguei em Ribeirão Pires, fui direto para a estação de trem, onde troquei de roupa no banheiro da plataforma e voltei pra casa a tempo de comer o almoço. Que delicia de pedal!

Foi um domingo muto agradável, sem perrengues (não considero a chuva um problema, mas parte do caminho), nem cansaço além do normal. Claro, para alguém que só tem feito pedaladas no bairro, foi um belo rolê que gerou alguns músculos doloridos, mas não acabou comigo nem me deixou destruído. Pensam que só por que sou gordo, eu sou mole? Rs.

Semana que vem pretendo fazer um pedal mais doméstico, rodar dentro da cidade (e longe de ciclofaixas). Mas quero começar a fazer alguns pedais mais longos por estradas, sem medo de ser feliz. 





Total pedalado: 74 km
Início: 06:00h - término 12:00h
Tempo total de paradas: 30 minutos
Achados: 1 lanterna tática das antigas
Baixas: nenhuma
Total gasto: R$4,40 com passagem de trem.








sexta-feira, 3 de julho de 2020

Todas as minhas bicicletas - Parte II

Bom Dia/Tarde/Noite!

No post anterior comecei a escrever sobre as bicicletas que tive ao longo de minha vida. Falei sobre minha infância e adolescência, considerando estas a minha primeira fase ciclística. Agora falarei um pouco das bikes que tive no que eu chamo de Retomada - quando redescobri o ciclismo e passei a usar a magrela não só como ferramenta de lazer, mas principalmente como meio de transporte. Vamos lá.

Segunda fase (2013 - atual)


Caloi Aspen
imagem: arquivo pessoal
Essa foi a bike que eu iniciei uma nova vida. Estava decidido a voltar a pedalar para manter minha saúde. Comprei a bicicleta mais barata que encontrei na época, pois não sabia se iria para frente com a idéia. A Caloi Aspen era pesadinha, mas me fez muito feliz. Pedalei pela maioria das ciclofaixas de lazer da época, em toda a ciclovia da marginal e muitos outros lugares. Ela passou a ser minha bike de uso diário. Pedalava 12km por dia e foi uma época em que meu entusiasmo só aumentava.


Soul Ace (Mocinha)
imagem: arquivo pessoal
Nove meses depois, juntei uma graninha e comprei essa maravilhosa bicicleta. Apesar de ser um pouco pequena para mim, consegui adaptá-la e usei por muito tempo. A diferença em conforto e leveza, em comparação à Caloi Aspen, era enorme! Acho que foi o maior impacto positivo que tive com bikes, pois além de leve, a Soul era macia, moderna para a época e muito, muito confiável. Com ela fiz o Caminho do Sol, pedalei para cidades vizinhas, até ir ensaiar com minha banda lá em Osasco eu fui com ela! É uma bike que nutro muito carinho e tenho ela até hoje, porém pretendo doá-la por questões de espaço.


Vzan (Brisa)
imagem: arquivo pessoal
Como a Soul tinha um quadro pequeno, experimentei colocar um maior. Porém, comprei um quadro que não tinha entrada para v-brakes e acabei tendo que comprar cubos, rodas e um garfo novo. No final, eu tinha uma bicicleta completamente nova às mãos. Com ela rodei pouco, mas fiz um cicloturismozinho até Guararema. Pena que assim que a garantia acabou, o quadro apresentou uma trinca num ponto crítico, na junção do top tube com o seat tube. Eu adorava essa bike e até hoje fico chateado com o incidente, quando vejo suas fotos.

Caloi Vitus (Bessie)
imagem: arquivo pessoal
Comprei esse quadro usado, transferi todas as peças da Vzan para ela. Ficou uma bike bem gostosa, bonita e de fácil condução. Com ela pedalei para Bertioga, e que descida de serra! Infelizmente ela também apresentou problemas e quebrou misteriosamente no chainstay, do lado do freio, com uns 6 meses de uso. Muito estranho, pois era um quadro feito pra pauleira. Creio que já comprei com o defeito, mas nunca saberei. Voltei então a usar a Soul Ace, na mesma época em que casei. Com isso, fui morar muito afastado e passei a usar carro e ônibus para vir até o trabalho. A bike ficou muito tempo encostada, pois onde morei não era um lugar que instigava o coração a sair pedalando.

Caloi City Tour

imagem: arquivo pessoal

Em 2018, depois de voltar a morar em São Paulo, adquiri esta que está sendo minha melhor bike até então. Aro 700, tamanho perfeito, freios hidráulicos e muito confortável. Tenho usado ela bastante desde então, num ritmo menor que no passado, mas ainda numa proporção considerável. Com ela fiz os dois Pedais Anchieta, saindo do Sacomã em SP e terminando somente nos quiosques da orla de Santos. Mudei algumas vezes de emprego e cada vez para mais longe, e ela vai junto, valente. E com essa pandemia, estou usando ela bastante pelo bairro, seja pra ir na farmácia, padaria ou compras pequenas no mercado. Quando essa crise sanitária acabar, penso em voltar para meus passeios maiores, Tenho algumas rotas traçadas, e também vontade de refazer alguns caminhos do passado, como a viagem para Guararema.



Concluindo

Até agora, tive 12 bicicletas. Cada uma possui suas próprias histórias e aprendizados. Foi muito bom fazer este apanhado de lembranças, um exercício de memória que me levaou a tempos distantes que começam a ficar turvos na memória, conforme o tempo passa. Fui banhado por felicidade ao lembrar da minha primeira bicicleta, de conseguir lembrar do dia que minha mãe tirou as rodinhas e me soltou para aprender a pedalar. De quando ela comprou uma bicicleta para mim e outra para ela e passamos a dar voltas pelo bairro. Ou até lembranças chatas como aquela em que vejo o ladrão render meu amigo e levar minha bike embora.

Sei que cedo ou tarde, muitas dessas lembranças se perderão. Ou deixar de serem histórias contextualizadas e tornarem-se, com sorte, flashes sem sentido na mente de um velhinho. Ainda que flashes, elas estarão lá.

A verdade é que tenho inúmeras lembranças da minha infância, mas muitas delas são apenas uma imagem mental, não há uma história por trás. Descobrir que tenho detalhes de uma lembrança tão antiga sobre minhas bicicletas deu muito mais sentido a este blog.

Essa linha temporal está longe de terminar.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Todas as minhas bicicletas - Parte I

Bom Dia/Tarde/Noite, pessoal!

Noite passada fui pra cama com a cabeça a mil, e quando isso acontece vocês sabem, nossos pensamentos viram um programa de variedades.

Entre um pensamento e outro, comecei a lembrar das minhas bicicletas, desde a primeira! Incrível como minha memória foi lá longe, para o início dos anos 80.  Como o assunto deste humilde blog é bicicleta, resolvi compartilhar minha nostalgia com vocês.


Minhas fases ciclísticas

Como toda criança da minha geração, eu tive bicicleta e pedalei muito em parques e na minha rua. Depois de adolescente, abandonei a bicicleta e só redescobri essa felicidade em 2013, com 36 anos. Com isso, consigo dividir minha vida ciclística em duas fases: uma que vai da minha primeira infância até os 16 anos e outra que começou com meus 36 anos e segue até hoje. Bem, chega de papo e vamos às fotos.


Primeira fase (1980 - 1993)

Como não tenho fotos das bicicletas dessa época, mas fiz uma busca de imagens na internet e, por felicidade, consegui encontrar todos os modelos que tive! Nem todas eu encontrei a cor ideal, mas o modelo é o mesmo:

Monark Mirim
imagem: internet
Minha primeira bicicleta, que chegou com rodinhas e com o tempo aprendi a andar. Lembro da primeira vez que consegui pedalar sem rodinhas, morrendo de medo. Minha mãe ia segurando na garupa e sem falar nada me soltou. Fui embora, por uns metros, e quando me dei conta parei correndo. Pouco tempo depois já estava independente, desbravando as calçadas. Os meninos grandes da rua não queriam saber de mim, porque eu era pequeno, não alcançava eles. Tive uma Monark Mirim igualzinha a essa da foto e chego a lembrar do cheiro de graxa e borracha que ela tinha.


Brandani
imagem: internet

Essa foi mais difícil de encontrar, ainda mais que minha memória visual dessa bicicleta é bem turva. eu lembro da marca e da cor vermelha. Certo dia, estava andando sozinho na rua, um ladrão apontou um revolver pra mim e a levou embora.



Caloicross Freestyle
imagem: internet

Acho que o presente de Natal mais legal que já ganhei! A Freestyle tinha acabado de ser lançada, eu tava sem bicicleta e contando com a má vontade dos amigos, que nunca emprestavam suas bicicletas. Me sentia um Chaves numa vila cheia de Quicos. Minha mãe comprou uma Caloi Ceci para ela, e passeávamos pelo bairro juntos, foram as primeiras vezes fui além da minha rua pedalando. Que saudade dessas pedaladas! 💜 Na foto um modelo vermelho, mas a minha era azul. Mas como nada é para sempre, ela também me foi roubada e passei a usar a bicicleta de minha mãe para não ficar a pé:



Caloi Ceci
imagem: internet

A bicicleta da minha mãe era novinha, um pouco grande para mim ainda, mas era muito gostosa de pedalar! Acho que foi a que ficou mais tempo comigo, pois por ser uma bicicleta pouco visada, eu ficava mais tranquilo. O problema era aguentar o deboche da molecada, que não aceitava um menino usando uma bicicleta feminina. Talvez por chegarem sempre depois, vai saber rs. Sim, meus amigos perdiam todas as corridas para mim. A parte chata é que acabaram as pedaladas com minha mãe, que eram muito legais. Na foto, uma Ceci igualzinha a que tive.



Caloicross
imagem: internet

Certa vez, o pneu da Ceci furou, e fomos numa bicicletaria consertá-lo. Chegando lá, tinha uma Caloicross muito linda à venda. Rodas de nylon, num vermelho que fez meus olhos brilharem. Minha mãe me fez prometer tirar boas notas e saímos da bicicletaria com a Caloicross, deixando a Ceci como parte do pagamento. Pedalei bastante com ela, rodava todo dia. Fazia "circuitinhos" pelo bairro, além de mil maluquices tipo descer da bicicleta e deixar ela indo sozinha... bikezinha forte. Na foto, o modelo igual ao meu. Pra variar, depois de um tempo essa bike também me foi roubada, enquanto um amigo andava. Pelo menos aproveitei bastante dessa vez.


Monark Ranger
imagem: internet

Passou algum tempo e ganhei uma nova bicicleta, agora aro 26. Era uma Monark Ranger, de cor preta, bem honesta. Foi nessa época que as mountain bikes chegaram com tudo. Pedalei bastante com ela, mas não sei por qual motivo parei, pois lembro que ela acabou encostada em casa. Tempos depois, dei ela para um amigo, junto com um cubo de marchas e um câmbio (não sei como consegui essas peças hahaha). Meu amigo não se interessou, mas o pai dele resolveu instalar o câmbio na bicicleta e ficou maravilhado, nunca tinha pedalado em uma bicicleta com marchas. É, até o começo dos anos 90, bicicleta com marcha era artigo de luxo, até a chegada dos produtos importados. 


Peugeot 10
imagem: internet

Quando comecei a trabalhar, um dos meus primeiros salários foi dedicado à uma belezura de 10 marchas. O ônibus que eu usava passava em frente a uma bicicletaria onde dava pra ver várias bikes à venda, e uma Peugeot novíssima parecia brilhar. Era uma Peugeot 10, reformada, pintada numa cor linda. Comprei essa bicicleta e no primeiro dia quase dei PT nela! Um buraco camuflado por água entortou a roda da frente e me levou ao chão. As bicicletarias que levei queriam cobrar quase o preço dela para consertar! Hoje em dia as peças de bicicleta são mais acessíveis, porque uma roda naquela época, aro 700, era cara de doer! Depois de uns meses, consegui umas carcaças de bicicleta (na mesma leva do câmbio que dei para meu amigo) e finalmente uma roda pra minha Peugeot. Rodei muito com ela, até enjoar. Não sabia, mas ela era uma bicicleta feita de cromoly, uma liga de aço muito mais resistente, que permitia a construção de tubos mais finos, tornando assim a bicicleta muito mais leve. Um amigo na época comprou uma mountain bike caríssima, feita dessa liga, que os caras da loja vendiam falando que não era metal, mas um material mais moderno chamado "cromo-molibdênio". Ah, o marketing.



Ufa!

Essas foram as minhas bikes nos 10 anos que duraram minha primeira fase. Abandonei o ciclismo no final da adolescência, principalmente quando comecei a me interessar em aprender a dirigir. Não reclamo, pois foram essas escolhas que me trouxeram até aqui. Foram diversas experiências, histórias, passeios e lembranças. Foi uma época mágica, que se um dia vier a esquecer, torço para o blogspot ainda existir para eu poder relembrar.


No próximo post, eu vou falar das minhas bikes da Segunda Fase (2013 - atual).

Até lá!