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segunda-feira, 1 de março de 2021

Viajar de bicicleta: máximo de km’s por dia, ou máximo de contemplação?


Apesar de cicloviajar menos vezes do que gostaria, não deixei de acompanhar o tema, principalmente em canais do youtube.

Ah, explicando: devem existir diferenças oficiais entre cicloviagem e cicloturismo, mas eu possuo um conceito pessoal para cada um deles. Podem estar completamente errados, aliás:


Cicloviagem: qualquer viagem feita de bicicleta. Por necessidade, condicionamento físico ou lazer.


Cicloturismo: atividade de lazer com objetivo de conhecer lugares ou atrações turísticas usando a bicicleta como meio de transporte.


Ou seja, o cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio qualquer, mesmo dentro da sua própria cidade. 


Meu primeiro contato com o tema foi através do blog do saudoso Waldson Gutierres, o Antigão. Seu modo de narrar as viagens, das dificuldades à contemplação da natureza do caminho, me fascinaram de imediato  e passei a admirar quem faz turismo dessa forma. Em geral, suas distâncias diárias não eram grandes, mas suas viagens levavam vários dias. E ele ia longe.



Passei a entender que cicloturismo não dependia de grandes metas diárias, mas em saborear o prazer de cada paisagem, de cada lugar. Há planejamento, objetivos, mas pensado de modo a aproveitar o caminho.


Acontece que, assistindo a maioria dos canais de youtube, percebi que a maioria dos cicloviajantes tem foco em vencer grandes distâncias, virar a noite pedalando, ganhar condicionamento, treinar. Pedais de 100, 200 quilômetros, onde se acampa ou chega em pousadas já no meio da noite e recomeçam no dia seguinte antes do sol nascer. As paradas parecem ser apenas para refeições. Adoro assistir a esses blogs, e apesar de não ser o tipo de cicloviagem que eu faria, é viagem de bike, né? Sempre é legal assistir.


Mas essa visão romântica do Antigão, de pedalar sem pressa e aproveitando o caminho, é mais rara. É mais popular entre os aventureiros de longa jornada, que estão há meses ou até anos na estrada. Bem, o próprio Waldson era um senhor já aposentado, que planejava suas viagens com antecedência e sempre considerando distâncias médias, que poderiam ser cumpridas sem pressa, ao longo do dia.


Um dos seus relatos que mais gosto de reler é sua viagem nos 800 quilômetros pelo litoral paulista, de Ilha Comprida à Parati. Os cicloviajantes de performance em geral levariam 4 ou 5 dias de muito suor e lágrimas para terminar o desafio. O Antigão, cicloturista, levou 18. Mas fez amigos, histórias, fotos e lembranças.


Respeito e admiro qualquer modo de cicloviagem. Quem define o melhor para si é o viajante. Mas eu sempre escolherei o cicloturismo para as minhas saidas.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Pedal solitário até Ribeirão Pires

Bom Dia/Tarde/Noite!

Domingo passado estava louco para matar a saudade da ciclofaixa de lazer, que voltaria a funcionar naquele dia. Mas antes do prazer vem a obrigação, portanto peguei minha sacola e parti a pé para a feira do bairro. 

Chegando na Av. Jabaquara, encontro a ciclofaixa e perco o ânimo: dezenas de pessoas amontoadas nos faróis, sem distanciamento, metade sem máscara, muitos cagando pra presença dos bandeirinhas e fazendo suas próprias regras... um nojo. O que poderia ajudar a criar uma nova cultura ciclística na cidade só serve para que os novos ciclistas se banhem em maus exemplos e sejam tão mal educados quanto os motoristas e motociclistas da cidade. Definitivamente, o público da ciclofaixa é o reflexo de uma sociedade mal educada, que burla qualquer regra quando lhe convém.

Decidi então que, ao invés de passear pela coronafaixa de lazer, iria fazer passeios solitários pela cidade e em torno dela. Decidi inaugurar esses passeios com uma esticada até Ribeirão Pires, partindo de minha casa. Ando bem enferrujado e necessitado de movimento.

A semana voou e no domingo seguinte acordei bem cedo, e antes de amanhecer já estava pedalando sentido Jabaquara. A previsão do tempo apontava um dia mais frio e com alguma garoa. Estava muito aprazível aquele fim de madrugada, com 16 graus.

Chegando no Jabaquara, peguei a ciclovia que vai até Diadema, saindo dela alguns kilômetros à frente, descendo uma rua diretamente para a Rodovia dos Imigrantes. Foi uma boa escolha sair nesse horário, pois existem diversos lugares com relatos de assaltos naquelas regiões. A escuridão me camuflava. Liguei apenas a lanterna traseira, por segurança. A lanterna dianteira só usava quando queria alertar alguém da minha presença, em geral pessoas se exercitando pelo acostamento.

Passando um pouco de Diadema, começou a garoar. Nessa hora o dia começou a raiar, e pedalar pela estrada estava uma delícia. Apareceram outros grupos de pedal, todos muito mais rápidos que eu hehehe... meu ritmo médio é entre 8 e 15 km/h. O tempo todo tinham ciclistas atrás de mim ou à minha frente. Mantive uma distância saudável de todos - mínimo de cem metros - pois não estava afim de colocar a máscara naquele momento. Em certo momento, achei uma lanterna tática piscando no chão. Um modelo antigo, à pilha. Bem nessa hora não tinha nenhum ciclista à vista, e a neblina apertou. Coloquei no bolso e segui meu caminho, pensando que iria ver alguém procurando à frente. No fim só lembrei dela no meu bolso quando cheguei em casa.

Chegando perto da represa, a garoa aumentou, combinada com neblina. Como há dias não chovia, o chão estava cheio de fuligem e barro. Pensa numa bike de pneus lisos 700x25 (muito finos) e sem paralamas. Resultado: passei a viagem inteira tomando sujeira no corpo todo, uma nhaca! Eu via as bolinhas de lama voando em cima de mim! Era engraçado e irritante ao mesmo tempo. 

Passei o pedágio, naquela interminável subida suave, que chega a dar preguiça. Cheguei na interligação e parei para umas fotos e comer uma barrinha de cereal. 


Lavei a cara pra foto, mas ainda saiu suja.

Falando em cereal, algum caminhão (ou alguns) levando milho para o porto de Santos passou derramando boa parte do alimento ao longo da estrada. Vejam na borda do acostamento a quantidade de grãos. O rastro de alimento começou depois do Rodoanel e me acompanhou até eu chegar na Anchieta. Desperdício normalizado num país com gente passando fome.

Nem João e Maria jogaram tantos grãos pelo caminho.


Passei os 10km da interligação debaixo de chuva e visibilidade baixíssima. Os grupos de pedal ou seguiam para a Estrada de Manutenção, ou davam meia volta até SP. No meu roteiro estava sozinho. Claro que, no momento que parei atrás de uma placa pra fazer xixi, passa um carro buzinando. Eu ri, porque faria o mesmo rs.

Chegando na Anchieta voltei a ver ciclistas, que faziam o mesmo que os colegas da Imigrantes. Iam até o retorno e voltavam. Mais 10km se seguiram e cheguei na Rodovia Caminho do Mar. Estradinha gostosa de pedalar, com uma vista agradável das lagoas que margeiam a estrada. Pedalei por este caminho sentindo um cheio de comida que me torturava. Estava na Rota do Peixe. Que fome que me bateu! Logo à frente, entrei na rodovia Índio Tibiriçá. Fui o único ciclista que não seguiu em direção ao polo ecoturístico, onde está a velha estrada para Santos. Ainda bem, aliás! Tem muito restaurante exalando cheio de peixe por aqueles caminhos e eu ia perder o foco! Já fiz esse caminho de carro e é um passeio muito bonito, cheio de verde e belas passagens pela represa, ainda pretendo fazer esse trecho pedalando e comendo.


Depois que secou, o excesso de barro saiu na palmada hehehe


A Índio Tibiriçá é uma rodovia gostosa de pedalar. Tem seus aclives e declives, nada absurdo, mas para alguém que já pedalou 60 km com chuva e lama na cara, se tornou um pouco cansativa. Aquele psicológico 'tá chegando'. Foi muito boa a pedalada, a estrada é um tapete só e mesmo com o tempo nublado pude apreciar sua beleza. Venci esses últimos 13km relativamente rápido, apesar de ter tido cãibras em dado momento, onde resolvi parar num ponto de ônibus, comer mais uma barrinha e descansar uns dez minutos. Tava tão gostoso ficar lá, pelo ar fresco e o cheiro de mato, que quase dormi! Enfim, antes que a preguiça tornasse tudo pior, montei na bike e fiz os últimos 5 km. 

Cheguei em Ribeirão Pires, fui direto para a estação de trem, onde troquei de roupa no banheiro da plataforma e voltei pra casa a tempo de comer o almoço. Que delicia de pedal!

Foi um domingo muto agradável, sem perrengues (não considero a chuva um problema, mas parte do caminho), nem cansaço além do normal. Claro, para alguém que só tem feito pedaladas no bairro, foi um belo rolê que gerou alguns músculos doloridos, mas não acabou comigo nem me deixou destruído. Pensam que só por que sou gordo, eu sou mole? Rs.

Semana que vem pretendo fazer um pedal mais doméstico, rodar dentro da cidade (e longe de ciclofaixas). Mas quero começar a fazer alguns pedais mais longos por estradas, sem medo de ser feliz. 





Total pedalado: 74 km
Início: 06:00h - término 12:00h
Tempo total de paradas: 30 minutos
Achados: 1 lanterna tática das antigas
Baixas: nenhuma
Total gasto: R$4,40 com passagem de trem.








quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedal Anchieta 2019


logo de gosto duvidoso.

Fico admirado quando vejo ciclistas de longa distância relatando que fizeram um desvio de apenas “80 kms” para visitar algum ponto turístico. Tem um tal de Alexandre Miranda no Youtube que chega a doer minhas canelas só de ver ele fazendo SP/PR numa pernada só. 

E o que para muitos ciclistas é um “tirinho”, para mim é a maior - quilometragem feita num único dia. Eu falo do Pedal Anchieta 2019.

O percurso sofreu alterações e ficou maior do que no ano passado. Desta vez, ao invés de seguirmos direto pela Anchieta, pegamos a interligação e descemos pela pista nova da Imigrantes (ela tem quase 20 anos e eu ainda chamo de nova). Isso aumentou o trajeto em alguns quilômetros, porém a gente termina a descida mais perto de Santos, evitando um pouco os monótonos 15km’s finais que foram um porre ano passado. 

A partir daí, foi tudo igual: chegamos em Santos, seguimos direto pro Canal 2 da orla e passamos a tarde comendo peixe frito e bebendo cerveja. Às 18h, subi no fretado e chegando em São Paulo, fui pedalando pra casa. Poderia fazer isso toda semana de tão divertido que é.

A verdade é que a parte mais gostosa dessa mini cicloviagem é o planalto, principalmente depois do Riacho Grande. É muito gostoso o sobe e desce da estrada, a natureza se aproximando, o silêncio… tudo contribui pra pedalada ser uma delícia! O clima de serra e a umidade da represa baixam a temperatura, tornado o percurso pouco desgastante. A descida da serra é a parte mais esperada, mas para mim nada é mais gostoso do que o planalto. E nada é mais entediante que chegar na baixada e pedalar até chegar na orla.









Essa pedalada foi cercada de algumas polêmicas este ano. O governo atual não mostrou muito entusiasmo em facilitar como ano passado, daí uma ONG assumiu a bronca sozinha, teve pouco tempo, introduziu um processo de cadastro e retirada de plaquinhas que a meu ver fez com que muitos não aderissem ao evento. Fora o logo que ficou bem feinho este ano (lado designer falando). Triste, mas que eles tenham aprendido que a receita do sucesso é a praticidade. Simplifiquem!

Apesar dos problemas nos bastidores e o menor número de ciclistas este ano, espero ansiosamente que tudo dê certo para que o evento se repita. Estou contando os dias para a próxima edição.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

40 mil no Pedal Anchieta! Eu fui um deles.

2 de dezembro de 2018.

Um dia para sentir saudades. Chamem de cicloviagem, ciclopasseio, loucura... mas a real é que em torno de 40 mil ciclistas saíram de São Paulo e pedalaram até Santos.

O clima era ótimo, todos se divertindo, sorrindo, mesmo aqueles que estavam exauridos, estavam com um sorriso no rosto. E não foi uma viagem curta: foram pelo menos 55km do percurso, somado ao passeio maroto em Santos, ninguém deve ter ficado abaixo dos 60km.

O evento foi uma grande vitória dos ciclistas, afinal foram longos anos de bastidores, gás lacrimogênio, proibições e descidas clandestinas. Em São Paulo, tudo começou a mudar com a ciclofaixa de lazer, para depois surgirem as ciclovias definitivas (nem tanto, né prefeito?). Não está fora de uma realidade crer que com a repercussão do Pedal Anchieta, outros eventos aconteçam e o interesso por cicloturismo e seu incentivo aumente.

Seguem algumas fotos e comentários do meu ponto de vista:



Acima, meu kit de emergência básico e umas comidinhas.
Tudo coube na minha mochila pequena:



Abaixo, como minha bike ficou.
Optei pela cestinha dianteira, muito mais prática e tudo à mão, principalmente a água.


Vejam como estava a estação Sacomã do lado de dentro:


Uma cena linda, com o sol e a subida dos primeiros kms da Anchieta, até o ponto de largada:


Aqui a largada oficial:


Não fez muito sol depois do km 10, na verdade ficou o tempo todo nublado, salvo nos primeiros 2km de descida de serra, onde uma garoa gelada nos molhou um pouquinho.

Em alguns momentos, o 'trânsito' era tanto que nós tínhamos que empurrar as magrelas. Foi bom porque encontrei dois amigos e descemos juntos desde então.


Aqui começou o momento mais lento de todo o percurso. começamos a empurrar as bikes na altura do Ilha de Capri e assim fomos até cruzar o Riacho Grande. Havia um troca de pistas que formou um imenso 'gargalo' de ciclistas. Depois disso, somente uma parada rápida antes de descer a serra.







A descida da serra foi muito divertida, com uma vista fenomenal.
PENA que não foi possível parar em muitos pontos para fazer fotografias. 
Haviam uns cagadores de regra reclamando com quem parasse, como se o evento fosse uma corrida.
Fiz questão de mandar todos à m# mais de uma vez e fazer minhas fotos desta vista deslumbrante!



Depois da descida, meus pulsos e sola dos pés doíam. 
Quem pensa que descida é fácil não sabe o que é ter que ficar alicatando os freios por 20, 30 minutos.

Enfim chegamos na baixada, mas ainda haveriam longos e monótonos 15km de vento contra, numa reta sem fim até finalmente chegar em Santos.




Assim que chegamos na cidade, pegamos algumas ciclovias e uma rota direta até o Canal 2.
Aqui vai minha única reclamação deste pedal: a falta de hospitalidade dos motoristas santistas. 

Eu tomo fechadas vez ou outra em São Paulo, mas em Santos foram umas sete num percurso de 3km! foi motociclista que entra sem seta voando, ônibus que passou a 10cm buzinando, e não podia faltar as SUV's acelerando atrás, mesmo sobrando espaço para passarem. Uma pena.

Faltando dois faróis para a praia, começou a chover forte. Paramos num coberto do lado de uma drogaria. Aproveitamos pra relaxar as pernas, descansar a bunda e esperar a chuva baixar. Depois de uma meia hora, seguimos pro primeiro quiosque que encontramos livre e lá ficamos quase a tarde toda!


Lá pro fim da tarde eu tomei meu rumo, tinha um fretado me esperando. Eles voltaram no 'Expresso Esposa" rs, então nos despedimos e eu pequei a ciclovia da Ana Costa, rumo ao centro.


Cheguei em SP umas nove da noite, voltei pedalando os últimos km's e ainda passei num chinês pra levar a janta pra esposa! No final, foram mais de 70km (eu tinha tirado o ciclocomputador da bike quando coloquei a bike no ônibus, perdendo estes últimos km's.



Domingo, 2 de dezembro de 2018
Km pedalados: mais de 70.
Baixas: nenhuma.
Tempo de pedalada: 6 horas
Tempo total do rolê (ida, cerveja e volta): 14h







sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Pedal Anchieta: 7 dicas úteis (que servem pra qualquer rolê, aliás).

Bom dia/tarde/noite pessoal!

Falta pouco para o grande dia! Bem, grande pelo menos para mim 😁

Tenho visto e lido algumas coisas sobre este pedal. Muitos youtubers postaram vídeos com dicas bacanas. Algumas delas considero essenciais, mesmo que óbvias! Portanto, irei falar um pouco disso aqui.

Apesar de ser um passeio ciclístico, essa pedalada é coisa séria. O trecho de serra requer atenção especial e os trechos de planalto e baixada são grandes descampados. Melhor ser redundante nas dicas do que omisso, afinal o passeio é uma oportunidade de lazer, cicloturismo e descoberta.

Vamos lá.


1. Tente instalar um bagageiro ou cestinha na bike

 Você pode até encarar apenas com uma mochila, mas pense que terá que levar água extra, lanche, ferramentas básicas, documentos, desodorante e uma camiseta sobressalente (não vai querer ficar fedentino depois que chegar, né?). Tudo isso nas suas costas irá gerar um peso extra que cobrará seu preço no meio do percurso, fora que você transpirará muito mais.

Instale, nem que seja o mais barato dos bagageiros e prenda sua mochila com elásticos.

Outra sugestão é instalar uma cestinha no guidão dianteiro. São bem baratas e qualquer bicicletaria tem. Ajuda também na distribuição de peso, aliviando a roda traseira.


2. Leve bastante água

Uma dica que parece óbvia, mas não é. Pane seca acaba com o rolê!

Serão pelo menos 30 mil ciclistas, na pista central da Anchieta. Essa rodovia praticamente não tem postos de gasolina para reabastecer as garrafas, fora que você estará na pista expressa. Portanto, nem seja louco de pular muretas e tentar atravessar.

Portanto, leve bastante água! Pelo menos duas garrafas ou caramanholas grandes. Tenha no mínimo 2 litros de água. E acredite, isso ainda é pouco. Na véspera, encha uma garrafa com água e outra até a metade, depois coloque no congelador. No dia seguinte, você terá uma garrafa com água congelada e a outra somente a metade. Complete essa garrafa com água. Você terá água fresca para o começo da pedalada, e aos poucos o gelo derreterá, fornecendo água fresca por mais tempo.


3. Leve comida

Por mais que você aguente ficar sem comer, não é recomendado. Lembre-se que isso é lazer, não treino. Repetindo, o passeio será pela pista expressa, sem chance de correr pro cantinho da pista pra comprar fandangos no posto. Leve seu rango e coma antes de sentir fome.

Apesar de você estar indo para a baixada, nada de levar marmitex com frango assado e farofa 😐. Nem tente fazer misto com presunto e pão de forma. A chance disso tudo azedar é grande.

Leve bolachas, barras de cereal, aqueles deliciosos salamitos, ou barrinhas de proteína. Frutas secas e sementes também são ótimas fontes de energia e ocupam pouco espaço.  Dezembro é assim, a gente bota uva passa em tudo, inclusive no pedal 😂😂😂. Se alguém levar castanha de caju, passe longe de mim porque senão vai ficar sem!


4. Manutenção básica

Leve um kit de remendo, câmara de ar extra e uma bomba portátil, mesmo que você não saiba usá-los. Ciclista é solidário, então você conseguirá ajuda fácil caso fure um pneu. E seja solidário também, caso veja algum ciclista sem esses recursos.


5. Verifique os freios!

Haverá um longo trecho de descida, com barranco dos dois lados! Fora o volume de ciclistas na pista, os 'sem noção' que com certeza resolverão fazer conversões súbitas na sua frente. Ficar sem freio - ou mesmo com eles fracos - nesses momentos não é uma boa idéia.

Leve numa bicicletaria para regular se você não souber como fazer e se possível, peça para trocarem as sapatas ou pastilhas.

Se sua bicicleta utiliza v-brakes, ferradura ou cantilevers, cuidado com a água. Esses tipos de freio perdem eficiência quando o aro está molhado. Se na serra tiver chovendo, atenção redobrada. Você não ficará sem freio, mas eles ficarão um pouco mais fracos.


6. Leve uma roupa extra

Fim de passeio, você suado tendo que esperar algumas horas para o ônibus trazer você de volta. Aquela roupa grudando, sua presença sendo sentida de longe... pra que, né? Leve um desodorante roll-on e uma camiseta limpa. Vai melhorar a sensação de bem estar, sua e de quem estiver perto. Nem preciso dizer pra acordar mais cedo e tomar uma chuveirada antes de sair de casa, preciso?


7. Garanta sua volta

Dê uma pesquisada em grupos do Facebook, tente reservar um fretado para voltar pra São Paulo. A rodoviária de Santos estará lotada de ciclistas querendo voltar pra casa.

Se você ainda tiver perna, pode pedalar até a rodoviária do Guarujá, São Vicente ou Praia Grande, porém há a possibilidade da oferta de ônibus nessas cidades estar menor porque as empresas deslocaram suas frotas para Santos, afim de suprir a demanda de ciclistas. Outra rodoviária que poderá te antender é a de Cubatão. Mas essa cidade não tem muitas linhas regulares nos fins de semana.

Se você estiver embalado, poderá pegar a balsa para o Guarujá, atravessar toda a ilha (uns 30 km) e pegar outra balsa para Bertioga. É praticamente tudo plano. Só não recomendo porque o risco de assaltos no Guarujá é alto.

enfim, não duvido que haverá oferta de ônibus clandestinos na boca da rodoviária, mas melhor garantir antes do que tentar a sorte em transporte não homologado, né?

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Todas essas dicas parecem até um pouco óbvias (leve comida, água, remendo, blá blá...), mas sempre é bom repetí-las. Quanto mais saturado de uma informação você estiver, mais fácil memorizar.

Com base na minha experiência pessoal, intero que estas dicas servem para qualquer rolê mais longo. Já tive pane seca, já pedalei com fome, já tive pneu furado, corrente arrebentada... posso dizer com propriedade que todo cuidado realmente é pouco.

Que o dia 2 de dezembro seja um dia daqueles de ficam na memória por muito tempo!


terça-feira, 5 de maio de 2015

Resetem nossa sociedade.

 

Há algumas semanas, um blogueiro cicloviajante teve sua bike roubada no Guarujá. De brinde levou um tiro de raspão e ainda sofreu ameaças dos bandidos após fazer o B.O. A polícia pouco fez, senão se livrar do problema orientando ele a apagar seu facebook e trocar de telefone, numa total inversão de valores e má vontade. Pior: o local aonde sua bike está é conhecido pelos policiais, que passaram a empurrar a bronca entre eles (civil x militar).

Na mesma semana, uma equipe de reportagem da maior emissora do país sofreu um assalto na mesma cidade. Com divulgação em rede nacional, os pertences foram recuperados no mesmo dia e pasmem, o bandido foi até uma delegacia e se entregou!

Isso deixou ele tão desmotivado (e puto, com razão), que ele abandonou o ciclismo e retirou seu blog do ar, com anos de postagens e boa leitura para quem gosta de pedalar. Não o culpo, afinal ele quase morreu e ainda está sendo punido por ser cidadão.

A solução para isso? Borrachada, bala na testa e cadeia.
NÃO! Isso é como tentar resolver epidemia de dengue com drops pra garganta! O ato de remediar está sempre atrelado a uma reatividade, ou seja, partir pra ação apenas quando o problema já está exposto.

O que chamam de “policiamento preventivo”, com “policiais fortemente armados”, não combate o crime. No máximo, faz o ladrão procurar outras vizinhanças, e não outra ocupação. Falar que “bandido bom é bandido morto” não fará o ladrão abandonar o crime, pelo contrário: fará o vagabundo ser mais agressivo e rápido a cada assalto, para não haver chance de falha. Atirar na vítima cria uma distração a mais, para ele poder fugir.

Nossa política de segurança tenta apagar um incêndio jogando álcool no fogo.

Temos que parar, refletir o que está acontecendo com o país e assumir que esta geração e a próxima estão condenadas. Não dá pra curar quem passou a vida inteira sendo doutrinado nas coisas erradas, infelizmente. No máximo, condicionar. Mudar uma sociedade não é apenas dar crédito pro cara comprar supérfulos, mas sim começar a adubar um solo, para lá na frente, a árvore começar a dar flores, para enfim começar a dar frutos.

Engoliremos a vergonha do nosso fracasso atual se reiniciarmos, passarmos a investir em educação. Não falo só de trigonometria nem de física. São temas importantes, mas o principal é outro: história e cultura. Direitos civis também. Fazer o brasileiro conhecer suas origens, conhecer a história da humanidade, as barbáries das guerras e ensinar respeito ao próximo, a idosos, a pais, familiares. Ensinar compreensão e tolerância. Para a agressividade natural do homo sapiens? esporte. Após uma ou duas gerações, teremos pessoas que valorizam o esforço, que se interessam naturalmente por literatura. Pessoas mais tolerantes e críticas, que sabem que no coletivo todos somos mais fortes, mas para construir coisas boas. Sem esforço, posso imaginar que a sociedade estando mais esclarecida irá priorizar mais uma casa com encanamento regular do que uma TV de led, ou investir em reboco valorizará seu patrimônio muito mais do que rodas de liga leve em seu carro popular. Sim, essa é outra triste realidade: vejo muita gente morando precariamente, mas com tv de 42 polegadas no quarto, vídeo game, celular e carro todo equipado. Uma inversão de valores que só prende o pobre cidadão à sua própria miséria, sem evolução. Carros e eletrônicos tem data de validade, ele irá gastar mais uma dinheirama no ano seguinte pra manter-se na ponta, enquanto bens duráveis como uma casa, são deixadas eternamente em segundo plano.

Somos reféns dessa realidade. Não adianta culpar o governo federal e bater panelas, se a segurança pública e a educação são responsabilidade de prefeituras e estado. Somente aumentar as verbas de educação não adiantará, pois acabará nas mãos de vereadores, prefeitos e deputados tão contaminados quanto aqueles bandidos que roubam bicicletas e atiram em inocentes.

A solução está aí, mas sua implantação é talvez seja o maior desafio.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Enfim, Berioga.


“O prêmio pode até ser o prazer de chegar ao litoral de forma diferente, saudável e feliz”

Escrevi esta frase no segundo post deste blog, no dia 4 de novembro de 2013. Na época, descer a Mogi-Bertioga era algo libertador para mim, um passaporte ao cicloturismo. É uma cicloviagem deliciosa, passando por muitos tipos de vegetação e numa estrada gostosa de se pedalar. O trecho de serra exige atenção, tanto nos freios quanto com quem vem atrás. Por sorte havia neblina e bastante movimento, assim a minha velocidade média na descida (35km/h!!!) não ofendia a pressa dos motoristas, e em poucos momentos fui ultrapassado, mas sem nenhum susto.

De certa forma, sair do planalto e chegar ao litoral de bike tem um impacto psicológico maior do que o próprio desafio. Quando postei fotos da minha viagem ao Caminho do Sol no Instagram, houve uma recepção morna por parte dos meus amigos e contatos. Nenhum comentário, mesmo eu escrevendo que estava no km 40, 140, 220. Só curtidas de algumas pessoas.

Mas quando eu postei uma foto da minha bike na Mogi-Bertioga e depois outra foto já do mar, minha timeline bombou. As pessoas comentavam incrédulas, impressionadas. Achei curioso que uma viagem de 60 km, onde existem poucas subidas, impressionar mais do que uma viagem de 200km por montanhas, terra e muito sol. Parece que a nossa Serra do Mar tem uma imponência intimidadora, como se ela fosse uma fronteira inóspita onde só veículos motorizados têm capacidade de vencê-la. Passei de bike apenas segurando o freio, mas parece que derrotei um gigante rsrsrs.

A boa sensação por completar este trajeto se deve mais por cumprir uma meta que estabeleci, algo que sentia estar devendo e sempre que planejava sua execução, eu adiava. Nesta semana mesmo, tomei um tombo com minha bike nova, caí de peito no chão e me ralei todo. Braço, ombro e coxas doendo, cotovelo até inchou. Estava em vias de cancelar novamente a descida, mas no sábado as dores diminuíram bastante e resolvi encarar. Graças a Deus!

Vejam algumas fotos que fiz pelo caminho:

Depois de uns 6km da estação de Mogi, a estrada começa.

Agora minha bike atente por Bessie Smith.

Sorte que a balança é só para caminhões, porque se me pesassem, teria que voltar heheheheh.

Essa placa me traz 2 preocupações: uma de que não terá acostamento e outra de que será uma subida chata.

Sua salada pode ter vindo daqui. Aliás, que cheiro delicioso de mato!

Não resisti e parei para comer um pastel de "flango" com uma garapa geladinha. Uma delícia essa massa! Quero repetir!

Aqui a vegetação começa a mudar. E a temperatura, a baixar.

Passando por municípios que nem sabia que existiam.

A placa do amor, da alegria, da ansiedade, que nos faz levantar do selim!

Numa das primeiras áreas de descanso, há este monumento e uma bica d'água.

Em outra área de descanso, pode-se fotografar essa cachoeira linda.
Ainda bem que as nuvens (e a garoa) estavam ficando para trás!

Ao horizonte, o mar. Abaixo, o rio que corre em direção ao mar. Adorei essa foto!

Já na baixada, logo após o final da serra. Olha ela lá atrás...

Seguindo em frente numa monótona reta de uns 6km.

Enfim chego ao trevo de Bertioga.

Por aqui vou até a entrada principal da cidade, uns 15 km à frente.

Aqui encontro o terceiro tipo de vegetação desta cicloviagem.

Já na cidade, pela ciclovia. Bem arrumadinha, aliás.

Caçando ângulos para valorizar as praias do centro da cidade.

No canal.

Total pedalado até a rodoviária: nada mal!

Esperando o ônibus para embarcar de volta. Cicloviagem delícia!

Rota que fiz. Exatamente o que projetei em 2013.



Resumo da altimetria: sobe, desce, sobe desce, deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesce, reto.


Confesso que Bertioga me decepcionou um pouco. Fazia anos que não passava por lá, achei a praia do centro bagunçada e feia. Não gostei do calçadão e do caos da praia lotada. Conheço a Boracéia, Riviera e outras praias, nenhuma maravilhosa, é claro, mas essa do centro não me agradou nem um pouco. Não tive vontade de passear por lá e peguei o primeiro ônibus de volta. Estava feliz pela cicloviagem em si.

Voltei de ônibus pra Mogi, depois pra casa de trem. O ônibus da Breda não era ruim, mas o bagageiro é horrível! A bike tem que ir deitada por falta de espaço, se eu não tivesse tido a idéia de colocar minha mochila entre o piso e a bike, ela teria chegado toda arranhada e talvez com o freio traseiro amassado. Ponto para o motorista, que foi atencioso na hora do embarque.

Sobre a bike: Apesar de usar guidão borboleta há mais de um ano, o curioso é que foi a primeira vez que viajei com ele. Em novembro, quando fui pra Guararema, estava usando um guidão comum. Também é a primeira vez que uso pneus slick 1.5 na estrada, apesar de usá-los grande parte do tempo. A bike se portou bem, os freios à disco mecânicos fizeram sua parte na descida, mesmo com a chuva nos primeiros kms. No final, eles ficaram um pouco mais fracos, mas ainda eficientes. Uma regulagem ao chegar em casa os deixou perfeitos novamente. Estimo mais de 1.000km com eles e as pastilhas estão em meia vida.

Domingo, 19 de Abril de 2015 - Dia do Índio
Km pedalados: 63 e um tiquim.
Baixas: Um par de óculos velho
Custos: R$7 de trem/metrô, R$9 do pastel com garapa e R$20 da passagem de volta.  Total R$ 36,00.

Até a próxima. Cicloabraços!