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terça-feira, 27 de abril de 2021

Pedalando até Guararema 2 #SQN


Dias atrás, dando continuidade à minhas pedaladas de sábado, resolvi revisitar uma pedalada muito bacana que fiz em 2014 para Guararema. Você pode ler o relato que fiz na época clicando aqui.
 

A pedalada começa na estação Estudantes, seguindo por 22 km passando por uma avenida, que se torna estrada e desce uma serrinha, depois alguns sobes e desces e muita paisagem bonita até Guararema.


A pedalada teve um ar nostálgico, pois remeteu a uma época muito gostosa de minha vida. Na época, o que me inspirou a fazer esse passeio foi uma postagem do saudoso antigão, que fizera tal passeio uma semana antes. Não deixe de seguir seu blog, clique aqui. Ele partiu para o outro plano há dois anos, mas seus relatos e viagens o mantém vivo e sempre são uma leitura primorosa sobre cicloturismo. 


Voltando ao relato, eu cheguei até a estação Estudantes vindo direto da Luz, montei na bike e saí para o passeio. Logo no primeiro quarteirão, senti o banco muito baixo - havia feito um bikefit virtual, mas ficou muito baixo para mim e tive que ajustar. Subi algo em torno de 1cm e como consequência, minha coluna ficou mais inclinada. 


Pouca coisa mudou pelo caminho. A avenida parecia a mesma de sete anos atrás, salvo por um movimento maior de carros. Segui tranquilo e cruzando alguns ciclistas pelo caminho. Assim que a pista dupla acaba, 8 km’s depois, começa a área mais rural e aprazível do passeio. Haviam algumas barracas de frutas nos acostamentos, e algumas chácaras com hortas podiam ser vistas pelo caminho. Pensei em comprar alguma coisa e trazer no bagageiro, mas acabaria moído quando chegasse em casa, horas depois.


A descida da serra se deu em poucos segundos. São 4 ou 5 km de descida no total, considerando do alto da serra até quase o posto policial. A parte mais íngreme se dá nos 2 quilômetros iniciais (ou finais, se estiver voltando). Após isso seguimos num sobe-desce mais ameno (dá-lhe perna) até a lagoa onde fica o portal da cidade.


Chegando na boca da cidade, já decidido a subir o mirante pela primeira vez, encontro um bloqueio de carros. Não estavam parando os ciclistas, mas eu parei e perguntei pra moça o que estava acontecendo, e ela disse que somente moradores ou prestadores de serviço poderiam adentrar à cidade, por conta das restrições ao coronga. 


Eu poderia ter mentido, ou mesmo ter passado reto no bloqueio, pelo outro acostamento, poderia ter dito que tinha um compromisso… desculpas não faltariam para entrar na cidade. Poderia. Mas tal ‘jeitinho’ é atitude de ‘cidadão de bem’, aquele que esbraveja contra os problemas mundanos alheios tanto quanto usufrui dessas pequenas corrupções, quando lhe favorecem.


Enfim, dei meia volta e fui aproveitar o pedal pela estrada. Guararema ficará na promessa para a próxima oportunidade.


O caminho de volta foi um pouco cansativo, aquela sublinha no banco começou a cobrar sua conta e passei a sentir dores nas costas. O pedal fluiu, porém desta vez a subida da serra foi mais sofrida. Em 2014 eu parei 2 ou 3 vezes para descansar, inclusive no meio da descida, onde há uma imagem de Nossa Senhora. Resolvi fazer tudo numa tacada só, com uma relação de coroa única de 36 dentes na frente e 32 atrás. Ao chegar no alto da serra, falando sozinho ao melhor estilo ‘Gabriel’, eu paro pra tomar uma água e descubro que tinha um ciclista me seguindo hahaha deve ter pensando que o gordinho é doido. E com razão.

arf, arf, arf

Terminei o pedal nos últimos quilômetros até Mogi das Cruzes, onde cogitei almoçar, mas daí lembrei que na noite anterior deixei todo o almoço preparado, com um picadinho com cogumelos e batata lindo na panela. Fui salivando a viagem toda.


O resultado foi um pedal meio frustrado por não ter completado a meta de chegar na cidade. As dores nas costas passaram depois que ajustei a altura do guidão. Enfim, Guararema terá que esperar mais um pouco.


Números do rolê

Quilômetros pedalados: 45.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Fiquei com vontade de comprar hortaliças, mas foi um abacaxi.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô-trem ida 1h30/ passeio 2h /trem-metrô volta 1h30).

Baixas: nenhuma.

domingo, 11 de abril de 2021

Represa de Mairiporã

A pandemia tem gerado um mal estar coletivo que me incomoda muito, mas não quero falar desse buraco que nos metemos antes mesmo de surgir o novo coronavírus. Vou relatar minhas experiências numa das minhas válvulas de escape para esses dias difíceis: os passeios de bicicleta.

Bike esperando o metrô.

Com a cidade em pseudo-lockdown, toda a malha metro-ferroviária da capital passou a aceitar bicicletas por períodos ampliados todos os dias. Agora, posso embarcar com a bike o fim de semana todo, e não somente após as 14h de sábado. E no horário que embarco, em torno de 8 da manhã, os trens estão relativamente vazios, podendo manter distância mais que suficiente de outras pessoas. 

Isso amplia minhas possibilidades de passeios de um dia, como o feito semana passada para a Estrada Velha de Santos. Agora foi a vez de pedalar pela Represa de Mairiporã.

Formalmente chamado de Reservatório Paulo de Paiva Castro, a Represa de Mairiporã é, além de um deslumbre para os olhos, um ponto chave do Sistema Cantareira de abastecimento de água para a Grande São Paulo. Todas as outras represas que compõem o sistema são interligadas e desaguam nela, onde suas águas são captadas e levadas para o tratamento, antes de chegarem em milhões de torneiras.


Para chegar até ela e voltar pra casa no começo da tarde, fui de trem até a estação de Franco da Rocha, ainda da Luz na linha que segue até Jundiaí. 


De lá, é fácil: você encara um suave aclive pela Estrada do Governo / Rod. Prefeito Luiz Salomão Chamma (políticos sempre renomeando as coisas, até quando?), pedala em torno de 7 quilômetros até ter a primeira vista da represa, já sobre a ponte. De lá, são 11 quilômetros predominantemente planos até a cidade de Mairiporã, por um acostamento de boa qualidade e um cheirinho de mato que a Cantareira oferece com prazer.

'E pra lá que ela vai...

... e de lá que ela vem.

Grupos de ciclistas, pessoas correndo e outros solitários giradores de pedivela são encontrados por todo o caminho, mas o acostamento amplo garante uma distância saudável para cruzar com cada um deles.


Chegando em Mairiporã, dei uma volta pela cidade, que pra mim parece uma kitinete da Praia Grande num feriado de verão: apertada e cheia de gente. Como uma cidade, rodeada de natureza e amplitude, consegue ser tão caótica e sim, feia? É um lugar que não traz uma satisfação típica de cidades montanhosas. O que salva o município de ser conhecida apenas como uma cidade dormitório é o seu entorno, com os atrativos da Cantareira e da Represa. Claro, se você puder pagar para ir em restaurantes, clubes e pousadas, pois parques municipais que exploram tais atrativos não existem. Posso estar errado, mas o Núcleo Águas Claras é em São Paulo e pertence ao governo estadual. Enfim.

Igrejinha da cidade. Parece uma maquete, de tão claustrofóbica e apertada que esta praça é.
Incrível, o largo todo tem mais espaço para carros passarem ou estacionarem do que para pedestres. 


Quase meti o louco e subi a Fernão Dias sentido São Paulo, mas não quero fazer parte de estatísticas de assaltos ao chegar em Guarulhos. Portando, restou a mim o retorno mais cômodo e prazeiroso, que é voltar ela mesma rodovia que margeia a represa, sentido Franco da Rocha. Um passeio tão gostoso, se tornar tenso numa rodovia hostil e feia? Não, bora sentir cheiro de mato e ouvir grilos e pássaros.

Céu perfeito, sem nuvens, mas o calor não incomodava. Não terminei ensopado como da última vez.


Chegando na estação, troquei de máscara, comprei um bilhete e embarquei de volta pra casa. Como de costume, não desço na estação do meu bairro, sempre um pouco antes pra finalizar o passeio pela ciclovia, dar o último sacode no esqueleto, comprar pão… cheguei em casa antes das 13h, tomei um banho, almocei e curti uma tarde dormindo no sofá com a tv ligada. Vida boa!


Semana que vem está em aberto. Será que exalo em algum lugar? Estou pensando em voltar pra Guararema, faz sete anos que fiz um pedal maravilhoso e tenho ótimas lembranças daquela época cheia de sonhos. Bora viver, com cuidado e respeito!


Números do rolê

Quilômetros pedalados: 38.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Ouvindo sons da natureza, de carros passando e sentindo cheiro de mato.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô/trem/passeio/trem/metrô).

Baixas: nenhuma.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Estrada Velha de Santos

Sábado de Aleluia, outono, clima ameno, com sol e zero chance de chuva. Qual ciclista não pensa em dar uma volta de bicicleta, com tanta coisa favorável, não é mesmo?

Eu resolvi desta vez fazer um cicloturismo rápido: pedalar na Estrada Velha de Santos, a linda Rodovia Caminho do Mar. 


Em tempo: considero cicloturismo qualquer pedalada cujo fim é conhecer ou aproveitar destinos, seja por de lazer, contemplação ou enriquecimento cultural. Cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio urbano. É mais um estado de espirito do que uma ação concreta. Novamente, é uma concepção particular.


Já conhecia essa estrada indo de carro e acho que de moto também. Mas pedalar nela foi a primeira vez. De muitas, aliás. É uma perspectiva completamente diferente, como se nos banhássemos da viagem.


Não saí muito cedo de casa, acho que foi pelas 8 da manhã. Foi uma estratégia para evitar grupos de ciclistas e aglomerações, uma vez que parece regra, nós ciclistas adoramos madrugar pra pedalar. Tomei o metrô e fui até a estação Tamanduateí, de onde peguei o trem até Ribeirão Pires.


Bike no trem

Ao sair da estação, cruza-se a linha do trem e segue pela avenida paralela. Após 1300 metros, se chega à entrada para a rodovia Índio Tibiriçá, onde já se encara talvez a subida mais chata do percurso. Depois disso, se seguem 12 quilômetros por esta estrada, praticamente uma reta de subidas e descidas bem gostosas. Aliás, sempre achei essa estrada muito chata para percorrer de carro, mas de bicicleta é a segunda vez que passei por ela e é muito agradável. No meu percurso, poucas bicicletas. Porém, no sentido oposto, haviam muitos grupos de ciclistas já voltando do passeio (lembra o que escrevi sobre ciclistas adorarem acordar cedo?).


Percorridos esses 12 quilômetros, chega-se na Caminho do Mar. Siga à esquerda no trevo, seguindo as placas que mostram o caminho do portal, pois se seguir à direita você acessa a rodovia Anchieta. É aqui que começam os 8 quilômetros mais bonitos do passeio.


Por ser uma rodovia “sem saída”, o movimento de carros é exclusivamente de turistas, em sua maioria pessoas que vão correr ou pedalar. Existem também alguns restaurantes no caminho, especializados em pescados, porém estes estavam fechados devido à pandemia. Haviam ambulantes vendendo bebidas e açaí, talvez a única fonte de água potável disponível nessa estrada atualmente.


Passam-se 2 pontes sobre a represa. A segunda delas é um convite à contemplação, pois é baixa e parece tornar toda a imensa represa do Riacho grande numa lagoa bucólica. 

A máscara torta deve ser consequência do sorriso largo.

Alguns poucos momentos à frente, se chega no portal do parque. Aos mais velhinhos, é o local aonde havia o pedágio da estrada, quando esta era aberta para carros descerem ao litoral. Aliás, uma pena não podermos fazer esse percurso. Sou muito mais favorável a adaptarem este caminho e liberá-la até Cubatão, do que haver tanta luta para o uso da estrada de manutenção da Imigrantes. A descida possui vistas espetaculares, construções históricas e muito mais silêncio, por passar longe das descidas de serra da Anchieta e Imigrantes. Enfim, fica no meu sonho.


No percurso de volta, nada de novo. Mas muito agradável e jamais enjoativo. O ponto chato fica por conta da última subida antes de chegar na entrada de Ribeirão Pires, que começa depois da ponte sobre a represa, num trecho de falso plano, que vai se intensificando até chegar ao mesmo ponto que termina aquela subida chata do começo do pedal. Quase 3km, com o último acentuando um pouco a subida. Em suma, não se trata de uma preocupação, pois não é um aclive íngreme, mas como é final de passeio fica chatinho por conta da expectativa de chegar. De última hora, decidi seguir até Rio Grande da Serra. A diferença é pequena, coisa de 3 ou 4 quilômetros, mas deu uma graça a mais no passeio, além de totalizar 50 quilômetros. Basta seguir rumo a Paranapiacaba.


Cheguei na estação, peguei um trem vazio e segui rumo minha casa. Desci na estação Ana Rosa, abrindo mão da última baldeação para finalizar os últimos quilômetros pela ciclovia, até em casa.


Foi um sábado delicioso, que somaram 5 horas entre a saída e chegada em casa, com 3 horas pedaláveis e muito bem aproveitadas. Olha, foi muito bom! Me pergunto por que cargas d’água nunca fiz tal passeio, com acesso tão facilitado a esse lugar maravilhoso. Serviu como quebra-gelo, me instigou a voltar pra Guararema e fazer outros bate-voltas ao redor da cidade, aproveitando o alcance dos 370 quilômetros de malha metro-ferroviária de São Paulo.


Mesmo porque pedalar pelas ciclovias da cidade já cansou um pouco. E foram quase 700 quilômetros por elas em 2021.


Bora cicloturistar os arredores da Grande São Paulo!



Números do rolê

Quilômetros pedalados: 50 cravados.

Custo: R$ 8,80 (dois bilhetes de metrô/trem).

Ouvindo: músicas infantis do meu filho que não saíam da cuca.

Tempo total do passeio: 5 horas (metrô/trem/passeio/trem/metrô).

Baixas: medo de rolês fora da cidade.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Viajar de bicicleta: máximo de km’s por dia, ou máximo de contemplação?


Apesar de cicloviajar menos vezes do que gostaria, não deixei de acompanhar o tema, principalmente em canais do youtube.

Ah, explicando: devem existir diferenças oficiais entre cicloviagem e cicloturismo, mas eu possuo um conceito pessoal para cada um deles. Podem estar completamente errados, aliás:


Cicloviagem: qualquer viagem feita de bicicleta. Por necessidade, condicionamento físico ou lazer.


Cicloturismo: atividade de lazer com objetivo de conhecer lugares ou atrações turísticas usando a bicicleta como meio de transporte.


Ou seja, o cicloturismo pode ser parte de uma cicloviagem ou de um passeio qualquer, mesmo dentro da sua própria cidade. 


Meu primeiro contato com o tema foi através do blog do saudoso Waldson Gutierres, o Antigão. Seu modo de narrar as viagens, das dificuldades à contemplação da natureza do caminho, me fascinaram de imediato  e passei a admirar quem faz turismo dessa forma. Em geral, suas distâncias diárias não eram grandes, mas suas viagens levavam vários dias. E ele ia longe.



Passei a entender que cicloturismo não dependia de grandes metas diárias, mas em saborear o prazer de cada paisagem, de cada lugar. Há planejamento, objetivos, mas pensado de modo a aproveitar o caminho.


Acontece que, assistindo a maioria dos canais de youtube, percebi que a maioria dos cicloviajantes tem foco em vencer grandes distâncias, virar a noite pedalando, ganhar condicionamento, treinar. Pedais de 100, 200 quilômetros, onde se acampa ou chega em pousadas já no meio da noite e recomeçam no dia seguinte antes do sol nascer. As paradas parecem ser apenas para refeições. Adoro assistir a esses blogs, e apesar de não ser o tipo de cicloviagem que eu faria, é viagem de bike, né? Sempre é legal assistir.


Mas essa visão romântica do Antigão, de pedalar sem pressa e aproveitando o caminho, é mais rara. É mais popular entre os aventureiros de longa jornada, que estão há meses ou até anos na estrada. Bem, o próprio Waldson era um senhor já aposentado, que planejava suas viagens com antecedência e sempre considerando distâncias médias, que poderiam ser cumpridas sem pressa, ao longo do dia.


Um dos seus relatos que mais gosto de reler é sua viagem nos 800 quilômetros pelo litoral paulista, de Ilha Comprida à Parati. Os cicloviajantes de performance em geral levariam 4 ou 5 dias de muito suor e lágrimas para terminar o desafio. O Antigão, cicloturista, levou 18. Mas fez amigos, histórias, fotos e lembranças.


Respeito e admiro qualquer modo de cicloviagem. Quem define o melhor para si é o viajante. Mas eu sempre escolherei o cicloturismo para as minhas saidas.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Pedal solitário até Ribeirão Pires

Bom Dia/Tarde/Noite!

Domingo passado estava louco para matar a saudade da ciclofaixa de lazer, que voltaria a funcionar naquele dia. Mas antes do prazer vem a obrigação, portanto peguei minha sacola e parti a pé para a feira do bairro. 

Chegando na Av. Jabaquara, encontro a ciclofaixa e perco o ânimo: dezenas de pessoas amontoadas nos faróis, sem distanciamento, metade sem máscara, muitos cagando pra presença dos bandeirinhas e fazendo suas próprias regras... um nojo. O que poderia ajudar a criar uma nova cultura ciclística na cidade só serve para que os novos ciclistas se banhem em maus exemplos e sejam tão mal educados quanto os motoristas e motociclistas da cidade. Definitivamente, o público da ciclofaixa é o reflexo de uma sociedade mal educada, que burla qualquer regra quando lhe convém.

Decidi então que, ao invés de passear pela coronafaixa de lazer, iria fazer passeios solitários pela cidade e em torno dela. Decidi inaugurar esses passeios com uma esticada até Ribeirão Pires, partindo de minha casa. Ando bem enferrujado e necessitado de movimento.

A semana voou e no domingo seguinte acordei bem cedo, e antes de amanhecer já estava pedalando sentido Jabaquara. A previsão do tempo apontava um dia mais frio e com alguma garoa. Estava muito aprazível aquele fim de madrugada, com 16 graus.

Chegando no Jabaquara, peguei a ciclovia que vai até Diadema, saindo dela alguns kilômetros à frente, descendo uma rua diretamente para a Rodovia dos Imigrantes. Foi uma boa escolha sair nesse horário, pois existem diversos lugares com relatos de assaltos naquelas regiões. A escuridão me camuflava. Liguei apenas a lanterna traseira, por segurança. A lanterna dianteira só usava quando queria alertar alguém da minha presença, em geral pessoas se exercitando pelo acostamento.

Passando um pouco de Diadema, começou a garoar. Nessa hora o dia começou a raiar, e pedalar pela estrada estava uma delícia. Apareceram outros grupos de pedal, todos muito mais rápidos que eu hehehe... meu ritmo médio é entre 8 e 15 km/h. O tempo todo tinham ciclistas atrás de mim ou à minha frente. Mantive uma distância saudável de todos - mínimo de cem metros - pois não estava afim de colocar a máscara naquele momento. Em certo momento, achei uma lanterna tática piscando no chão. Um modelo antigo, à pilha. Bem nessa hora não tinha nenhum ciclista à vista, e a neblina apertou. Coloquei no bolso e segui meu caminho, pensando que iria ver alguém procurando à frente. No fim só lembrei dela no meu bolso quando cheguei em casa.

Chegando perto da represa, a garoa aumentou, combinada com neblina. Como há dias não chovia, o chão estava cheio de fuligem e barro. Pensa numa bike de pneus lisos 700x25 (muito finos) e sem paralamas. Resultado: passei a viagem inteira tomando sujeira no corpo todo, uma nhaca! Eu via as bolinhas de lama voando em cima de mim! Era engraçado e irritante ao mesmo tempo. 

Passei o pedágio, naquela interminável subida suave, que chega a dar preguiça. Cheguei na interligação e parei para umas fotos e comer uma barrinha de cereal. 


Lavei a cara pra foto, mas ainda saiu suja.

Falando em cereal, algum caminhão (ou alguns) levando milho para o porto de Santos passou derramando boa parte do alimento ao longo da estrada. Vejam na borda do acostamento a quantidade de grãos. O rastro de alimento começou depois do Rodoanel e me acompanhou até eu chegar na Anchieta. Desperdício normalizado num país com gente passando fome.

Nem João e Maria jogaram tantos grãos pelo caminho.


Passei os 10km da interligação debaixo de chuva e visibilidade baixíssima. Os grupos de pedal ou seguiam para a Estrada de Manutenção, ou davam meia volta até SP. No meu roteiro estava sozinho. Claro que, no momento que parei atrás de uma placa pra fazer xixi, passa um carro buzinando. Eu ri, porque faria o mesmo rs.

Chegando na Anchieta voltei a ver ciclistas, que faziam o mesmo que os colegas da Imigrantes. Iam até o retorno e voltavam. Mais 10km se seguiram e cheguei na Rodovia Caminho do Mar. Estradinha gostosa de pedalar, com uma vista agradável das lagoas que margeiam a estrada. Pedalei por este caminho sentindo um cheio de comida que me torturava. Estava na Rota do Peixe. Que fome que me bateu! Logo à frente, entrei na rodovia Índio Tibiriçá. Fui o único ciclista que não seguiu em direção ao polo ecoturístico, onde está a velha estrada para Santos. Ainda bem, aliás! Tem muito restaurante exalando cheio de peixe por aqueles caminhos e eu ia perder o foco! Já fiz esse caminho de carro e é um passeio muito bonito, cheio de verde e belas passagens pela represa, ainda pretendo fazer esse trecho pedalando e comendo.


Depois que secou, o excesso de barro saiu na palmada hehehe


A Índio Tibiriçá é uma rodovia gostosa de pedalar. Tem seus aclives e declives, nada absurdo, mas para alguém que já pedalou 60 km com chuva e lama na cara, se tornou um pouco cansativa. Aquele psicológico 'tá chegando'. Foi muito boa a pedalada, a estrada é um tapete só e mesmo com o tempo nublado pude apreciar sua beleza. Venci esses últimos 13km relativamente rápido, apesar de ter tido cãibras em dado momento, onde resolvi parar num ponto de ônibus, comer mais uma barrinha e descansar uns dez minutos. Tava tão gostoso ficar lá, pelo ar fresco e o cheiro de mato, que quase dormi! Enfim, antes que a preguiça tornasse tudo pior, montei na bike e fiz os últimos 5 km. 

Cheguei em Ribeirão Pires, fui direto para a estação de trem, onde troquei de roupa no banheiro da plataforma e voltei pra casa a tempo de comer o almoço. Que delicia de pedal!

Foi um domingo muto agradável, sem perrengues (não considero a chuva um problema, mas parte do caminho), nem cansaço além do normal. Claro, para alguém que só tem feito pedaladas no bairro, foi um belo rolê que gerou alguns músculos doloridos, mas não acabou comigo nem me deixou destruído. Pensam que só por que sou gordo, eu sou mole? Rs.

Semana que vem pretendo fazer um pedal mais doméstico, rodar dentro da cidade (e longe de ciclofaixas). Mas quero começar a fazer alguns pedais mais longos por estradas, sem medo de ser feliz. 





Total pedalado: 74 km
Início: 06:00h - término 12:00h
Tempo total de paradas: 30 minutos
Achados: 1 lanterna tática das antigas
Baixas: nenhuma
Total gasto: R$4,40 com passagem de trem.








quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedal Anchieta 2019


logo de gosto duvidoso.

Fico admirado quando vejo ciclistas de longa distância relatando que fizeram um desvio de apenas “80 kms” para visitar algum ponto turístico. Tem um tal de Alexandre Miranda no Youtube que chega a doer minhas canelas só de ver ele fazendo SP/PR numa pernada só. 

E o que para muitos ciclistas é um “tirinho”, para mim é a maior - quilometragem feita num único dia. Eu falo do Pedal Anchieta 2019.

O percurso sofreu alterações e ficou maior do que no ano passado. Desta vez, ao invés de seguirmos direto pela Anchieta, pegamos a interligação e descemos pela pista nova da Imigrantes (ela tem quase 20 anos e eu ainda chamo de nova). Isso aumentou o trajeto em alguns quilômetros, porém a gente termina a descida mais perto de Santos, evitando um pouco os monótonos 15km’s finais que foram um porre ano passado. 

A partir daí, foi tudo igual: chegamos em Santos, seguimos direto pro Canal 2 da orla e passamos a tarde comendo peixe frito e bebendo cerveja. Às 18h, subi no fretado e chegando em São Paulo, fui pedalando pra casa. Poderia fazer isso toda semana de tão divertido que é.

A verdade é que a parte mais gostosa dessa mini cicloviagem é o planalto, principalmente depois do Riacho Grande. É muito gostoso o sobe e desce da estrada, a natureza se aproximando, o silêncio… tudo contribui pra pedalada ser uma delícia! O clima de serra e a umidade da represa baixam a temperatura, tornado o percurso pouco desgastante. A descida da serra é a parte mais esperada, mas para mim nada é mais gostoso do que o planalto. E nada é mais entediante que chegar na baixada e pedalar até chegar na orla.









Essa pedalada foi cercada de algumas polêmicas este ano. O governo atual não mostrou muito entusiasmo em facilitar como ano passado, daí uma ONG assumiu a bronca sozinha, teve pouco tempo, introduziu um processo de cadastro e retirada de plaquinhas que a meu ver fez com que muitos não aderissem ao evento. Fora o logo que ficou bem feinho este ano (lado designer falando). Triste, mas que eles tenham aprendido que a receita do sucesso é a praticidade. Simplifiquem!

Apesar dos problemas nos bastidores e o menor número de ciclistas este ano, espero ansiosamente que tudo dê certo para que o evento se repita. Estou contando os dias para a próxima edição.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

40 mil no Pedal Anchieta! Eu fui um deles.

2 de dezembro de 2018.

Um dia para sentir saudades. Chamem de cicloviagem, ciclopasseio, loucura... mas a real é que em torno de 40 mil ciclistas saíram de São Paulo e pedalaram até Santos.

O clima era ótimo, todos se divertindo, sorrindo, mesmo aqueles que estavam exauridos, estavam com um sorriso no rosto. E não foi uma viagem curta: foram pelo menos 55km do percurso, somado ao passeio maroto em Santos, ninguém deve ter ficado abaixo dos 60km.

O evento foi uma grande vitória dos ciclistas, afinal foram longos anos de bastidores, gás lacrimogênio, proibições e descidas clandestinas. Em São Paulo, tudo começou a mudar com a ciclofaixa de lazer, para depois surgirem as ciclovias definitivas (nem tanto, né prefeito?). Não está fora de uma realidade crer que com a repercussão do Pedal Anchieta, outros eventos aconteçam e o interesso por cicloturismo e seu incentivo aumente.

Seguem algumas fotos e comentários do meu ponto de vista:



Acima, meu kit de emergência básico e umas comidinhas.
Tudo coube na minha mochila pequena:



Abaixo, como minha bike ficou.
Optei pela cestinha dianteira, muito mais prática e tudo à mão, principalmente a água.


Vejam como estava a estação Sacomã do lado de dentro:


Uma cena linda, com o sol e a subida dos primeiros kms da Anchieta, até o ponto de largada:


Aqui a largada oficial:


Não fez muito sol depois do km 10, na verdade ficou o tempo todo nublado, salvo nos primeiros 2km de descida de serra, onde uma garoa gelada nos molhou um pouquinho.

Em alguns momentos, o 'trânsito' era tanto que nós tínhamos que empurrar as magrelas. Foi bom porque encontrei dois amigos e descemos juntos desde então.


Aqui começou o momento mais lento de todo o percurso. começamos a empurrar as bikes na altura do Ilha de Capri e assim fomos até cruzar o Riacho Grande. Havia um troca de pistas que formou um imenso 'gargalo' de ciclistas. Depois disso, somente uma parada rápida antes de descer a serra.







A descida da serra foi muito divertida, com uma vista fenomenal.
PENA que não foi possível parar em muitos pontos para fazer fotografias. 
Haviam uns cagadores de regra reclamando com quem parasse, como se o evento fosse uma corrida.
Fiz questão de mandar todos à m# mais de uma vez e fazer minhas fotos desta vista deslumbrante!



Depois da descida, meus pulsos e sola dos pés doíam. 
Quem pensa que descida é fácil não sabe o que é ter que ficar alicatando os freios por 20, 30 minutos.

Enfim chegamos na baixada, mas ainda haveriam longos e monótonos 15km de vento contra, numa reta sem fim até finalmente chegar em Santos.




Assim que chegamos na cidade, pegamos algumas ciclovias e uma rota direta até o Canal 2.
Aqui vai minha única reclamação deste pedal: a falta de hospitalidade dos motoristas santistas

Eu tomo fechadas vez ou outra em São Paulo, mas em Santos foram umas sete num percurso de 3km! foi motociclista que entra sem seta voando, ônibus que passou a 10cm buzinando, e não podia faltar as SUV's acelerando atrás, mesmo sobrando espaço para passarem. Uma pena.

Faltando dois faróis para a praia, começou a chover forte. Paramos num coberto do lado de uma drogaria. Aproveitamos pra relaxar as pernas, descansar a bunda e esperar a chuva baixar. Depois de uma meia hora, seguimos pro primeiro quiosque que encontramos livre e lá ficamos quase a tarde toda!


Lá pro fim da tarde eu tomei meu rumo, tinha um fretado me esperando. Eles voltaram no 'Expresso Esposa" rs, então nos despedimos e eu pequei a ciclovia da Ana Costa, rumo ao centro.


Cheguei em SP umas nove da noite, voltei pedalando os últimos km's e ainda passei num chinês pra levar a janta pra esposa! No final, foram mais de 70km (eu tinha tirado o ciclocomputador da bike quando coloquei a bike no ônibus, perdendo estes últimos km's.



Domingo, 2 de dezembro de 2018
Km pedalados: mais de 70.
Baixas: nenhuma.
Tempo de pedalada: 6 horas
Tempo total do rolê (ida, cerveja e volta): 14h