quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Minha experiência numa e-bike.

O mercado mundial de e-bikes está crescendo como nunca. Seja em esportes ou na mobilidade urbana, as bicicletas elétricas vieram para ficar. Mas e aqui no Brasil? Bem, eu não acompanho profundamente a movimentação mundial desse mercado, apenas minha percepção local eu posso considerar, e salvo pontuais excessões, é um mercado dividido entre tecnologia velha e de ponta, ambas muito inacessíveis. 

Atualmente existem modelos modernos à disposição no Brasil. Porém, seus preços são proibitivos para a maioria de nós, por conta da alta do dólar, da tecnologia e da carga tributária. Na faixa de entrada, transbordam modelos que podemos considerar como bicicletas de fundo de quintal, pois são basicamente bicicletas comuns, montadas com o que há de mais barato disponível, acrescidas do sistema elétrico. As excessões são poucas, bem poucas.


Bicicleta de preguiçoso?

Se fosse verdade, o que o motociclista e o motorista seriam?


A e-bike um veículo moderno, que está revolucionando a mobilidade urbana e o ciclismo. Quem pedala uma e-bike não é preguiçoso, visto que nem todo trajeto e nem toda pessoa mora são combinações ideais. Subidas, calor, hostilidade e grandes distâncias impedem muitos cidadãos de usarem bicicletas convencionais. Nem todos têm físico e biotipo privilegiado, mas todos têm o direito de ir e vir, junto a insatisfação com a qualidade do transporte público. Some isso ao valor do combustível, do estacionamento, das taxas anuais para se manter um veículo motorizado... deu preguiça só de pensar, né? 


Para algumas pessoas o carro é indispensável, para outras, uma bicicleta resolve e para tantas outras, um bom tênis é mais que suficiente. Porém, há um enorme 'meio termo' entre todas essas realidades. Quando trabalhava na Paulista, conseguia usar a bike quase que diariamente, porém ainda chegava um pouco suado no trabalho, tendo que trocar a camisa. Se tivesse a ajuda de uma e-bike, não precisaria me preocupar com isso. 


No lazer, o conceito é o mesmo: todos têm o direito de usufruir dos prazeres do ciclismo, de treinar com segurança e desbravar caminhos de bicicleta. De chegar mais longe, de curtir o passeio sem medo de dores desnecessárias. A e-bike te livra da fadiga excessiva e não há problema algum nisso. Tem pessoas que nem com todo o treino do mundo, alimentação correta e sono em dia conseguem pedalar grandes distâncias, mas elas adorariam fazer isso, se fosse possível.



Já ouviu falar de pedal assistido?

Não, não é um pedal que passa na televisão (rs)

Bicicletas com pedal assistido possuem um sensor que capta o movimento do pedivela, entende que a bicicleta está em movimento e aciona o motor.  Existem basicamente dois tipos de pedal assistido: com sensor de giro e com sensor de torque.

 

Sensores de giro acionam o motor ao detectar que o ciclista pedalou. É pá-pum: entendeu que o ciclista quer andar, já entrega a força máxima programada. É um sistema mais arcaico, com menos escalonamento da potência entregue, ou seja, se você precisar manobrar em baixa velocidade, corre o risco do motor dar um tranco, te dando um susto que pode te levar ao chão. Para dar alguma segurança, esse sistema tem um sensor nos manetes de freio, que desliga o motor ao ser acionado. 


sensor de torque é uma evolução. Consiste em um sistema que calcula a pressão exercida, acionando a potência do motor de acordo com ela. Se você pedala tranquilamente, ele te ajuda suavemente. Se vier um esforço maior por conta de uma subida, ele aumenta a entrega do motor, afim de compensar essa diferença. Somado aos níveis de assistência programáveis pelo ciclocomputador, é um sistema que pedala contigo, e não para você. Essa tecnologia surgiu nos motores centrais (na região do pedivela), mas bicicletas com motor traseiro (no cubo da roda traseira) mais modernas já possuem o recurso. 



E-bike ou bicicleta adaptada?

O mercado está usando cada vez mais o termo e-bike para se referir a bicicletas com auxílio elétrico. É um apelo mercadológico que a meu ver desmerece a verdadeira bicicleta elétrica, ou e-bike. 


Em resumo, uma e-bike é uma bicicleta que foi projetada para ter auxílio elétrico, e esse auxílio se dá via pedal assistido. Já uma bicicleta comum, que recebeu um kit elétrico, deveria ser chamada de bicicleta eletrificada. E mais: se possui acelerador, nem bicicleta é, já vira ciclomotor.


As bicicletas eletrificadas são, em geral, os modelos mais baratos do mercado. Na maioria das vezes, são bicicletas com componentes de baixíssimo custo, para compensarem o valor do kit elétrico. Só que uma bicicleta com componentes de baixo custo mal conseguem dar conta de si mesmas, tampouco receber um kit elétrico, que irá levar tais componentes ao limite. Tem que ficar muito de olho ao comprar uma bicicleta dessas. Em geral elas têm um visual bem poluído, com muitos cabos e componentes expostos.


Uma bicicleta projetada para ser e-bike sempre terá um visual mais harmônico. O quadro e toda a estrutura é projetado para receber bateria, motor, fiação e tudo o mais. Quando a bateria fica no bagageiro, este é projetado sob medida e não parece uma adaptação. Em todos os casos, o sistema controlador é embutido, diferente das adaptações, onde ficam todos expostos do lado de fora da estrutura dos quadros. Em alguns modelos, o sistema elétrico é tão bem adaptado que a e-bike parece uma bicicleta comum. 


Caso você deseje eletrificar sua bicicleta atual, dê atenção aos componentes dela. Vale colocar uma relação nova, freios melhores, conferir se o quadro aguenta, pois a bateria será um peso permanente, seja no down tube ou no bagageiro. Também verifique o movimento central e considere trocar a 'caixaria' por um cartucho selado. Se você usar uma bike ruim, erá uma e-bike ruim. Não economize em ítens de segurança, pois é sua integridade física que estará em jogo.



Minha experiência

O fator psicológico é capaz de derrubar até o ciclista mais preparado. 


Já cheguei a desidratar e ter exaustão no meio de um trajeto. Isso numa época em que eu era muito mais preparado fisicamente do que hoje em dia. Mais magro, mais forte, mais jovem. E o blackout aconteceu, no meio do nada, sem água e no verão mais quente e seco que tivemos na década passada. Sorte que Deus colocou pessoas boas no caminho, que me deram água e sombra para me revigorar. O medo de que isso se repita sempre me assombrou, tirando parte do prazer de uma pedalada longa. E é contra esse fantasma que uma e-bike é eficiente.


Tive a oportunidade de pedalar uma e-bike moderna, com motor traseiro de 250w, pedal assistido com sensor de torque e 5 níveis de assistência. Testei todos os níveis de assistência e logo percebi que os níveis máximos são para mobilidade urbana, o famoso "chegar sem suar". Nos níveis mínimos, a e-bike se torna uma excelente aliada da saúde, permitindo uma atividade física controlada e segura. Essa é a maravilha do sensor de torque: ele não faz a e-bike rodar por você, mas com você. 


Resolvi fazer um caminho conhecido, que é um circuito onde vou pela Paulista até a Vila Madalena, subindo até a Cerro Corá, seguindo por ela até o cemitério da Lapa e descendo ao Parque Villa Lobos, voltando pela ciclovia da Bernardino de Campos até a Faria Lima, Vila Olímpia, Moema, Indianópolis, Igreja São Judas, Av Jabaquara e finalmente minha casa. 40 lindos e arborizados quilômetros urbanos com subidas íngremes em diversos momentos. 


Como eu pretendia fazer um exercício aeróbico, deixei a e-bike na assistência mínima, e saí para pedalar. Foi maravilhoso! As arrancadas eram suaves, os aclives da cidade desaparecem e minha cadência permanecia constante, gerando uma queima calórica saudável e muito prazeirosa. Fazia apenas o esforço apenas para manter a velocidade e, nas subidas mais íngremes, subia para uma marcha mais leve e aumentava para assistência 2, afim de equilibrar cadência e esforço. Um sucesso.


De bicicleta comum, termino sempre com os músculos exauridos, impedindo qualquer exercício no dia seguinte. Com a e-bike, eu cheguei em casa transpirando, mas com os músculos em dia, fortalecidos pelo exercício mas sem dores por conta de esforço excessivo. Foi tão bom que no dia seguinte consegui pedalar distância semelhante, inclusive subindo a Av. Rebouças sem medo! Naquela semana, somei mais de 160 km's pedalados, um record pessoal.


E-bikes são o futuro? A bicicleta tradicional vai morrer?

Creio que as e-bikes serão mais acessíveis ao longo do tempo, com a evolução tecnológica das baterias e motores. Só espero que essa evolução se dê pelo amadurecimento do consumidor, e não porque uma tecnologia se tornou ultrapassada e seu preço ficou mais atraente. O Dólar e os impostos jogam contra essa evolução, mas posso falar que as e-bikes vieram para ficar. 


Não creio que a e-bike irá matar a bicicleta tradicional, pois ela continuará sendo o veículo mais prático e eficiente que existe. Mas acredito que elas estarão cada vez mais destinadas ao esporte e lazer, deixando um pouco a função mobilidade para as e-bikes. Tudo depende de como evoluirá a tecnologia, e quanto ela custará para nós. 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

O Caminho Mais Longo



Bom Dia/Tarde/Noite!

O ser humano é econômico por essência. Buscar o menor caminho entre dois pontos é uma predisposição que existe em todos nós. Muitas vezes, buscar o mais fácil é o que faz um indivíduo sobreviver. Porém, o que faz uma pessoa transcender está exatamente no contrário: o caminho mais longo.

Perceba que quando alguém faz algo notável, escolheu o rumo mais difícil. Jesus passou 40 dias no deserto e não sucumbiu às tentações, que pareciam ser o caminho mais fácil. John Kennedy escolheu mandar um homem à Lua por ser difícil. O Everest recebe mais alpinistas que o Pico do Jaraguá. O melhor whisky em geral passa anos confinado para ficar bom.

Aonde quero chegar? Bem, este blog eu falo da vida cotidiana com bicicletas, e "chegar" é uma parte importante de todo o processo. Um leitor mais atento pode dizer que estou comparando objetivos de vida com minha jornada sobre duas rodas. Isso eu já fiz muitas vezes, e metade da humanidade também, de um modo ou de outro. Não há nada de novo.

A bicicleta é física, desloca-se do ponto A para o ponto B com a força de nossas pernas. Só isso. A magia está entre estes pontos. Na verdade, na forma como cada um de nós interpreta e percorre eles. Falando a real, a bicicleta é um meio como tantos outros de buscar, além do óbvio (ponto A > ponto b), um encontro consigo mesmo no caminho. Daí que se explica tanta devoção por um meio de transporte que divide opiniões. Vejo cicloturistas em grandes jornadas, velocistas em grandes performances, e por assim vai. A mesma satisfação de uma pessoa que faz downhill em um percurso de dois minutos pode ser vivida por um viajante que está há um ano pedalando mundo afora. Não a adrenalina e o barranco abaixo, mas a alegria de estar fazendo algo que te deixa feliz. De buscar o caminho mais longo, o desafio. Aquilo que é o tal "algo mais" da vida. A bike é apenas uma ferramenta. O ser humano é quem faz tudo acontecer. É ele quem percorre o caminho, escolhe a dificuldade. Optar pela bike pode ser algo racional, mas se torna passional conforme vamos percebendo o quão legal que é pedalar. O caminho mais curto da racionalidade é esquecido. Logo pensamos no mais longo, o de buscar algo mais daquilo que temos e queremos. É o intelecto humano se manifestando, fazendo a diferença.

Sair, realizar. Alguns se realizam tocando guitarra, outros dançando. Correndo, pulando de pára-quedas, fazendo churrasco, menage à trois ou lendo um livro. Cada tem o poder de fazer algo diferente, percorrer o caminho de um jeito que será diferente e notável. Eu percorro pedalando.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Pedal solitário até Ribeirão Pires

Bom Dia/Tarde/Noite!

Domingo passado estava louco para matar a saudade da ciclofaixa de lazer, que voltaria a funcionar naquele dia. Mas antes do prazer vem a obrigação, portanto peguei minha sacola e parti a pé para a feira do bairro. 

Chegando na Av. Jabaquara, encontro a ciclofaixa e perco o ânimo: dezenas de pessoas amontoadas nos faróis, sem distanciamento, metade sem máscara, muitos cagando pra presença dos bandeirinhas e fazendo suas próprias regras... um nojo. O que poderia ajudar a criar uma nova cultura ciclística na cidade só serve para que os novos ciclistas se banhem em maus exemplos e sejam tão mal educados quanto os motoristas e motociclistas da cidade. Definitivamente, o público da ciclofaixa é o reflexo de uma sociedade mal educada, que burla qualquer regra quando lhe convém.

Decidi então que, ao invés de passear pela coronafaixa de lazer, iria fazer passeios solitários pela cidade e em torno dela. Decidi inaugurar esses passeios com uma esticada até Ribeirão Pires, partindo de minha casa. Ando bem enferrujado e necessitado de movimento.

A semana voou e no domingo seguinte acordei bem cedo, e antes de amanhecer já estava pedalando sentido Jabaquara. A previsão do tempo apontava um dia mais frio e com alguma garoa. Estava muito aprazível aquele fim de madrugada, com 16 graus.

Chegando no Jabaquara, peguei a ciclovia que vai até Diadema, saindo dela alguns kilômetros à frente, descendo uma rua diretamente para a Rodovia dos Imigrantes. Foi uma boa escolha sair nesse horário, pois existem diversos lugares com relatos de assaltos naquelas regiões. A escuridão me camuflava. Liguei apenas a lanterna traseira, por segurança. A lanterna dianteira só usava quando queria alertar alguém da minha presença, em geral pessoas se exercitando pelo acostamento.

Passando um pouco de Diadema, começou a garoar. Nessa hora o dia começou a raiar, e pedalar pela estrada estava uma delícia. Apareceram outros grupos de pedal, todos muito mais rápidos que eu hehehe... meu ritmo médio é entre 8 e 15 km/h. O tempo todo tinham ciclistas atrás de mim ou à minha frente. Mantive uma distância saudável de todos - mínimo de cem metros - pois não estava afim de colocar a máscara naquele momento. Em certo momento, achei uma lanterna tática piscando no chão. Um modelo antigo, à pilha. Bem nessa hora não tinha nenhum ciclista à vista, e a neblina apertou. Coloquei no bolso e segui meu caminho, pensando que iria ver alguém procurando à frente. No fim só lembrei dela no meu bolso quando cheguei em casa.

Chegando perto da represa, a garoa aumentou, combinada com neblina. Como há dias não chovia, o chão estava cheio de fuligem e barro. Pensa numa bike de pneus lisos 700x25 (muito finos) e sem paralamas. Resultado: passei a viagem inteira tomando sujeira no corpo todo, uma nhaca! Eu via as bolinhas de lama voando em cima de mim! Era engraçado e irritante ao mesmo tempo. 

Passei o pedágio, naquela interminável subida suave, que chega a dar preguiça. Cheguei na interligação e parei para umas fotos e comer uma barrinha de cereal. 


Lavei a cara pra foto, mas ainda saiu suja.

Falando em cereal, algum caminhão (ou alguns) levando milho para o porto de Santos passou derramando boa parte do alimento ao longo da estrada. Vejam na borda do acostamento a quantidade de grãos. O rastro de alimento começou depois do Rodoanel e me acompanhou até eu chegar na Anchieta. Desperdício normalizado num país com gente passando fome.

Nem João e Maria jogaram tantos grãos pelo caminho.


Passei os 10km da interligação debaixo de chuva e visibilidade baixíssima. Os grupos de pedal ou seguiam para a Estrada de Manutenção, ou davam meia volta até SP. No meu roteiro estava sozinho. Claro que, no momento que parei atrás de uma placa pra fazer xixi, passa um carro buzinando. Eu ri, porque faria o mesmo rs.

Chegando na Anchieta voltei a ver ciclistas, que faziam o mesmo que os colegas da Imigrantes. Iam até o retorno e voltavam. Mais 10km se seguiram e cheguei na Rodovia Caminho do Mar. Estradinha gostosa de pedalar, com uma vista agradável das lagoas que margeiam a estrada. Pedalei por este caminho sentindo um cheio de comida que me torturava. Estava na Rota do Peixe. Que fome que me bateu! Logo à frente, entrei na rodovia Índio Tibiriçá. Fui o único ciclista que não seguiu em direção ao polo ecoturístico, onde está a velha estrada para Santos. Ainda bem, aliás! Tem muito restaurante exalando cheio de peixe por aqueles caminhos e eu ia perder o foco! Já fiz esse caminho de carro e é um passeio muito bonito, cheio de verde e belas passagens pela represa, ainda pretendo fazer esse trecho pedalando e comendo.


Depois que secou, o excesso de barro saiu na palmada hehehe


A Índio Tibiriçá é uma rodovia gostosa de pedalar. Tem seus aclives e declives, nada absurdo, mas para alguém que já pedalou 60 km com chuva e lama na cara, se tornou um pouco cansativa. Aquele psicológico 'tá chegando'. Foi muito boa a pedalada, a estrada é um tapete só e mesmo com o tempo nublado pude apreciar sua beleza. Venci esses últimos 13km relativamente rápido, apesar de ter tido cãibras em dado momento, onde resolvi parar num ponto de ônibus, comer mais uma barrinha e descansar uns dez minutos. Tava tão gostoso ficar lá, pelo ar fresco e o cheiro de mato, que quase dormi! Enfim, antes que a preguiça tornasse tudo pior, montei na bike e fiz os últimos 5 km. 

Cheguei em Ribeirão Pires, fui direto para a estação de trem, onde troquei de roupa no banheiro da plataforma e voltei pra casa a tempo de comer o almoço. Que delicia de pedal!

Foi um domingo muto agradável, sem perrengues (não considero a chuva um problema, mas parte do caminho), nem cansaço além do normal. Claro, para alguém que só tem feito pedaladas no bairro, foi um belo rolê que gerou alguns músculos doloridos, mas não acabou comigo nem me deixou destruído. Pensam que só por que sou gordo, eu sou mole? Rs.

Semana que vem pretendo fazer um pedal mais doméstico, rodar dentro da cidade (e longe de ciclofaixas). Mas quero começar a fazer alguns pedais mais longos por estradas, sem medo de ser feliz. 





Total pedalado: 74 km
Início: 06:00h - término 12:00h
Tempo total de paradas: 30 minutos
Achados: 1 lanterna tática das antigas
Baixas: nenhuma
Total gasto: R$4,40 com passagem de trem.








sexta-feira, 3 de julho de 2020

Todas as minhas bicicletas - Parte II

Bom Dia/Tarde/Noite!

No post anterior comecei a escrever sobre as bicicletas que tive ao longo de minha vida. Falei sobre minha infância e adolescência, considerando estas a minha primeira fase ciclística. Agora falarei um pouco das bikes que tive no que eu chamo de Retomada - quando redescobri o ciclismo e passei a usar a magrela não só como ferramenta de lazer, mas principalmente como meio de transporte. Vamos lá.

Segunda fase (2013 - atual)


Caloi Aspen
imagem: arquivo pessoal
Essa foi a bike que eu iniciei uma nova vida. Estava decidido a voltar a pedalar para manter minha saúde. Comprei a bicicleta mais barata que encontrei na época, pois não sabia se iria para frente com a idéia. A Caloi Aspen era pesadinha, mas me fez muito feliz. Pedalei pela maioria das ciclofaixas de lazer da época, em toda a ciclovia da marginal e muitos outros lugares. Ela passou a ser minha bike de uso diário. Pedalava 12km por dia e foi uma época em que meu entusiasmo só aumentava.


Soul Ace (Mocinha)
imagem: arquivo pessoal
Nove meses depois, juntei uma graninha e comprei essa maravilhosa bicicleta. Apesar de ser um pouco pequena para mim, consegui adaptá-la e usei por muito tempo. A diferença em conforto e leveza, em comparação à Caloi Aspen, era enorme! Acho que foi o maior impacto positivo que tive com bikes, pois além de leve, a Soul era macia, moderna para a época e muito, muito confiável. Com ela fiz o Caminho do Sol, pedalei para cidades vizinhas, até ir ensaiar com minha banda lá em Osasco eu fui com ela! É uma bike que nutro muito carinho e tenho ela até hoje, porém pretendo doá-la por questões de espaço.


Vzan (Brisa)
imagem: arquivo pessoal
Como a Soul tinha um quadro pequeno, experimentei colocar um maior. Porém, comprei um quadro que não tinha entrada para v-brakes e acabei tendo que comprar cubos, rodas e um garfo novo. No final, eu tinha uma bicicleta completamente nova às mãos. Com ela rodei pouco, mas fiz um cicloturismozinho até Guararema. Pena que assim que a garantia acabou, o quadro apresentou uma trinca num ponto crítico, na junção do top tube com o seat tube. Eu adorava essa bike e até hoje fico chateado com o incidente, quando vejo suas fotos.

Caloi Vitus (Bessie)
imagem: arquivo pessoal
Comprei esse quadro usado, transferi todas as peças da Vzan para ela. Ficou uma bike bem gostosa, bonita e de fácil condução. Com ela pedalei para Bertioga, e que descida de serra! Infelizmente ela também apresentou problemas e quebrou misteriosamente no chainstay, do lado do freio, com uns 6 meses de uso. Muito estranho, pois era um quadro feito pra pauleira. Creio que já comprei com o defeito, mas nunca saberei. Voltei então a usar a Soul Ace, na mesma época em que casei. Com isso, fui morar muito afastado e passei a usar carro e ônibus para vir até o trabalho. A bike ficou muito tempo encostada, pois onde morei não era um lugar que instigava o coração a sair pedalando.

Caloi City Tour

imagem: arquivo pessoal

Em 2018, depois de voltar a morar em São Paulo, adquiri esta que está sendo minha melhor bike até então. Aro 700, tamanho perfeito, freios hidráulicos e muito confortável. Tenho usado ela bastante desde então, num ritmo menor que no passado, mas ainda numa proporção considerável. Com ela fiz os dois Pedais Anchieta, saindo do Sacomã em SP e terminando somente nos quiosques da orla de Santos. Mudei algumas vezes de emprego e cada vez para mais longe, e ela vai junto, valente. E com essa pandemia, estou usando ela bastante pelo bairro, seja pra ir na farmácia, padaria ou compras pequenas no mercado. Quando essa crise sanitária acabar, penso em voltar para meus passeios maiores, Tenho algumas rotas traçadas, e também vontade de refazer alguns caminhos do passado, como a viagem para Guararema.



Concluindo

Até agora, tive 12 bicicletas. Cada uma possui suas próprias histórias e aprendizados. Foi muito bom fazer este apanhado de lembranças, um exercício de memória que me levaou a tempos distantes que começam a ficar turvos na memória, conforme o tempo passa. Fui banhado por felicidade ao lembrar da minha primeira bicicleta, de conseguir lembrar do dia que minha mãe tirou as rodinhas e me soltou para aprender a pedalar. De quando ela comprou uma bicicleta para mim e outra para ela e passamos a dar voltas pelo bairro. Ou até lembranças chatas como aquela em que vejo o ladrão render meu amigo e levar minha bike embora.

Sei que cedo ou tarde, muitas dessas lembranças se perderão. Ou deixar de serem histórias contextualizadas e tornarem-se, com sorte, flashes sem sentido na mente de um velhinho. Ainda que flashes, elas estarão lá.

A verdade é que tenho inúmeras lembranças da minha infância, mas muitas delas são apenas uma imagem mental, não há uma história por trás. Descobrir que tenho detalhes de uma lembrança tão antiga sobre minhas bicicletas deu muito mais sentido a este blog.

Essa linha temporal está longe de terminar.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Todas as minhas bicicletas - Parte I

Bom Dia/Tarde/Noite, pessoal!

Noite passada fui pra cama com a cabeça a mil, e quando isso acontece vocês sabem, nossos pensamentos viram um programa de variedades.

Entre um pensamento e outro, comecei a lembrar das minhas bicicletas, desde a primeira! Incrível como minha memória foi lá longe, para o início dos anos 80.  Como o assunto deste humilde blog é bicicleta, resolvi compartilhar minha nostalgia com vocês.


Minhas fases ciclísticas

Como toda criança da minha geração, eu tive bicicleta e pedalei muito em parques e na minha rua. Depois de adolescente, abandonei a bicicleta e só redescobri essa felicidade em 2013, com 36 anos. Com isso, consigo dividir minha vida ciclística em duas fases: uma que vai da minha primeira infância até os 16 anos e outra que começou com meus 36 anos e segue até hoje. Bem, chega de papo e vamos às fotos.


Primeira fase (1980 - 1993)

Como não tenho fotos das bicicletas dessa época, mas fiz uma busca de imagens na internet e, por felicidade, consegui encontrar todos os modelos que tive! Nem todas eu encontrei a cor ideal, mas o modelo é o mesmo:

Monark Mirim
imagem: internet
Minha primeira bicicleta, que chegou com rodinhas e com o tempo aprendi a andar. Lembro da primeira vez que consegui pedalar sem rodinhas, morrendo de medo. Minha mãe ia segurando na garupa e sem falar nada me soltou. Fui embora, por uns metros, e quando me dei conta parei correndo. Pouco tempo depois já estava independente, desbravando as calçadas. Os meninos grandes da rua não queriam saber de mim, porque eu era pequeno, não alcançava eles. Tive uma Monark Mirim igualzinha a essa da foto e chego a lembrar do cheiro de graxa e borracha que ela tinha.


Brandani
imagem: internet

Essa foi mais difícil de encontrar, ainda mais que minha memória visual dessa bicicleta é bem turva. eu lembro da marca e da cor vermelha. Certo dia, estava andando sozinho na rua, um ladrão apontou um revolver pra mim e a levou embora.



Caloicross Freestyle
imagem: internet

Acho que o presente de Natal mais legal que já ganhei! A Freestyle tinha acabado de ser lançada, eu tava sem bicicleta e contando com a má vontade dos amigos, que nunca emprestavam suas bicicletas. Me sentia um Chaves numa vila cheia de Quicos. Minha mãe comprou uma Caloi Ceci para ela, e passeávamos pelo bairro juntos, foram as primeiras vezes fui além da minha rua pedalando. Que saudade dessas pedaladas! 💜 Na foto um modelo vermelho, mas a minha era azul. Mas como nada é para sempre, ela também me foi roubada e passei a usar a bicicleta de minha mãe para não ficar a pé:



Caloi Ceci
imagem: internet

A bicicleta da minha mãe era novinha, um pouco grande para mim ainda, mas era muito gostosa de pedalar! Acho que foi a que ficou mais tempo comigo, pois por ser uma bicicleta pouco visada, eu ficava mais tranquilo. O problema era aguentar o deboche da molecada, que não aceitava um menino usando uma bicicleta feminina. Talvez por chegarem sempre depois, vai saber rs. Sim, meus amigos perdiam todas as corridas para mim. A parte chata é que acabaram as pedaladas com minha mãe, que eram muito legais. Na foto, uma Ceci igualzinha a que tive.



Caloicross
imagem: internet

Certa vez, o pneu da Ceci furou, e fomos numa bicicletaria consertá-lo. Chegando lá, tinha uma Caloicross muito linda à venda. Rodas de nylon, num vermelho que fez meus olhos brilharem. Minha mãe me fez prometer tirar boas notas e saímos da bicicletaria com a Caloicross, deixando a Ceci como parte do pagamento. Pedalei bastante com ela, rodava todo dia. Fazia "circuitinhos" pelo bairro, além de mil maluquices tipo descer da bicicleta e deixar ela indo sozinha... bikezinha forte. Na foto, o modelo igual ao meu. Pra variar, depois de um tempo essa bike também me foi roubada, enquanto um amigo andava. Pelo menos aproveitei bastante dessa vez.


Monark Ranger
imagem: internet

Passou algum tempo e ganhei uma nova bicicleta, agora aro 26. Era uma Monark Ranger, de cor preta, bem honesta. Foi nessa época que as mountain bikes chegaram com tudo. Pedalei bastante com ela, mas não sei por qual motivo parei, pois lembro que ela acabou encostada em casa. Tempos depois, dei ela para um amigo, junto com um cubo de marchas e um câmbio (não sei como consegui essas peças hahaha). Meu amigo não se interessou, mas o pai dele resolveu instalar o câmbio na bicicleta e ficou maravilhado, nunca tinha pedalado em uma bicicleta com marchas. É, até o começo dos anos 90, bicicleta com marcha era artigo de luxo, até a chegada dos produtos importados. 


Peugeot 10
imagem: internet

Quando comecei a trabalhar, um dos meus primeiros salários foi dedicado à uma belezura de 10 marchas. O ônibus que eu usava passava em frente a uma bicicletaria onde dava pra ver várias bikes à venda, e uma Peugeot novíssima parecia brilhar. Era uma Peugeot 10, reformada, pintada numa cor linda. Comprei essa bicicleta e no primeiro dia quase dei PT nela! Um buraco camuflado por água entortou a roda da frente e me levou ao chão. As bicicletarias que levei queriam cobrar quase o preço dela para consertar! Hoje em dia as peças de bicicleta são mais acessíveis, porque uma roda naquela época, aro 700, era cara de doer! Depois de uns meses, consegui umas carcaças de bicicleta (na mesma leva do câmbio que dei para meu amigo) e finalmente uma roda pra minha Peugeot. Rodei muito com ela, até enjoar. Não sabia, mas ela era uma bicicleta feita de cromoly, uma liga de aço muito mais resistente, que permitia a construção de tubos mais finos, tornando assim a bicicleta muito mais leve. Um amigo na época comprou uma mountain bike caríssima, feita dessa liga, que os caras da loja vendiam falando que não era metal, mas um material mais moderno chamado "cromo-molibdênio". Ah, o marketing.



Ufa!

Essas foram as minhas bikes nos 10 anos que duraram minha primeira fase. Abandonei o ciclismo no final da adolescência, principalmente quando comecei a me interessar em aprender a dirigir. Não reclamo, pois foram essas escolhas que me trouxeram até aqui. Foram diversas experiências, histórias, passeios e lembranças. Foi uma época mágica, que se um dia vier a esquecer, torço para o blogspot ainda existir para eu poder relembrar.


No próximo post, eu vou falar das minhas bikes da Segunda Fase (2013 - atual).

Até lá!